Os dois pastores da igreja evangélica, Eli Borges e Filipe Martins,ambos do PL de Jair Bolsonaro, circunstancialmente pagos pelo poder público para legislar na Câmara dos Deputados em favor da população do Estado e do país, são mesmo do balacobaco.
Levasse em conta os ensinamentos da minha primeira comunhão e crisma na igreja Católica - nos tempos em que as narrativas religiosas subordinavam a ciência - seguiriam, os pastores, direto para a casa do "Tinhoso", sem estadia no purgatório.
Os dois pastores (vestidos de deputados) foram os dois parlamentares do Tocantins a votarem contra a urgência no Projeto de Lei que pretende punir o fake-news no Brasil. Foram 238 votos favoráveis e 138 contra. Da bancada, quatro foram a favor e dois outros se abstiveram.
O projeto é bem mais abrangente que o apelido:"Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet". Na prática, pretende diminuir a disseminação de notícias falsas e aumentar as chances de punições aos seus responsáveis. Prevê ainda novas normas para o funcionamento de serviços de busca, redes sociais e aplicativos de trocas de mensagens.
Não haveria momento mais oportuno: a soma de mobilizações nas redes sociais que apavoram escolas (vide o massacre no Sul do país) e a proliferação de grupos nas redes defendendo o nazismo, construção de bombas caseiras e incentivando atos de terrorismo.
Sem qualquer instrumento regulatório ou de punição, terra sem lei que, sem legislação, criatório de foras-da-lei que no não combate ou seu atraso favorece sequência por pura lógica. Mas pastores tem a sua própria razão celestial, ainda que muito bem paga por designios bem mais terrenos e profanos.
Eli Borges é o presidente da bancada evangélica na Câmara e não se pode dizer de falta de predicado para exercer o cargo. Leva na Câmara dos Deputados o mesmo anacronismo com que se movimentou na Câmara de Vereadores de Palmas e na Assembléia Legislativa, tratando os poderes não só como instrumento de pregação religiosa evangélica mas de eliminação dos demais cultos.
Derrotados na falta de pressa, tentam, os tais, mudar o relatório do deputado Orlando Silva. Querem, agora, liberdade para combater LGBTs com o uso da narrativa evangélica, sem serem alcançados pela justiça civil e penal.
Com a bíblia debaixo do braço querem poder eliminar homossexuais, negar as leis penais (no aborto), a partir de teses como estas, do pastor e deputado Eli Borges, verbalizada dias atrás pelo próprio:
“Se os tribunais estão cheios de processos contra cristãos é porque, como conservadores, não estamos buscando o contraponto”.
Ou seja, processos na Justiça agora teriam uma régua religiosa-evangélica, lugar onde o pastor reduziria todos os cristãos, evangélicos ou não.
E que os recursos do processo judicial dependeriam de um progressismo que o conservadorismo (dos evangélicos) inibisse.


