A indústria do Estado enfrentou os problemas da pandemia como os demais segmentos produtivos. Mas a depender da perspectiva do setor, a crise tem tudo para ficar para trás. Estudo divulgado recentemente pela Federação das Indústrias do Tocantins (Fieto) é documento que deveria servir aos governos (estadual e municipais), bancos e investidores.
A sondagem industrial do segundo trimestre/2020 no Estado aponta um cenário de recuperação. Não por menos a indústria recolheu de ICMS no mês de junho o montante de R$ 38.703.404,00. Um valor 29,5% (R$ 8,8 milhões) superior aos R$ 29.885.962,00 recolhidos em maio e 16% (R$ 6,2 milhões) a mais que os R$ 32.412.166,00 pagos de ICMS em abril (da movimentação econômica de março) quando a pandemia começou a mexer de modo visível na economia. Nos dois trimestres, recolheu de ICMS R$ 224,6 milhões. Expressão só inferior ao comércio.
A indústria estadual reverteu o cenário apesar de dificuldades que, apontadas pelo setor, emprestam, paradoxalmente, maior vigor à atividade industrial. Este crescimento no segundo trimestre se deu com a elevada carga tributária (o segundo maior empecilho para 31,25% dos consultados), só perdendo para o alto custo da matéria prima (40,63%). A falta de insumo foi apontada por 24%. Outros destaques: falta de capital de giro (23,44% ) e custo de energia (21,88%). Fundamentais na produção.
São problemas graves: o imposto, por exemplo, consome o faturamento (e investimento) e máquina parada é prejuízo. Se naquele a solução depende do Estado, neste pode significar o custo da matéria prima (num Estado mais consumidor que produtor), também ligado à falta de intervenção estatal no setor (não há processamento de minério, parque têxtil inexistente e que tais).
E quando as há, são direcionadas a setor que se movimenta pela inércia (dadas as condições naturais) como a agropecuária que, ainda assim, pagou de imposto no Tocantins no primeiro semestre (ICMS) apenas R$ 16,5 milhões. Ou: 7,3% do que produziu do imposto a indústria.
Mesmo assim, a indústria elevou sua capacidade instalada, elevou a produção em 12 pontos (em relação ao primeiro trimestre) e em sete pontos o número de empregados (no mesmo período). Sem contar a diminuição da ociosidade da capacidade instalada, um aumento de 6% em relação a março/2020, com 64%. Acima da média do Brasil (62%)e da região Norte (60%).
O grupo liderado pelo presidente da Fieto, Roberto Pires, parece fazer a sua parte. Outros poderiam seguir-lhes os passos. Ou pelo menos fazer uso dos números (e do planejamento) que produz.


