A filiação do ex-governador Siqueira Campos ao PL do ex-senador Vicentinho Alves, Valdemar Costa Neto e Jair Bolsonaro reconcilia a ambos com suas próprias histórias e trajetórias políticas, ainda que circunstancialmente elas estivessem desencontradas.
Se considerassem objetivamente o pêndulo, o reencontro, mais que partidário, sinalizaria que avançaram na relação do racionalismo (que se dá a serviço da vontade) para o criticismo onde o objeto importa menos que o sujeito. Não haveria, a priori, além da icônica imagem de Siqueira Campos, nada mais a aproveitar-se no território das idéias e logística de campanha.
E aí não deixariam de contradizer-se num ponto específico: Siqueira retornaria ao seu eixo da ditadura militar que sempre seguiu, cultivou e defendeu (muito embora incautos e puxa-sacos amplifiquem seus pendores democráticos). Não à toa, enquanto atirava celulares em secretários por contrariado e perseguia adversários politicos, despejava dinheiro público em memorial celebrando o comunismo e, paradoxalmente, monumentos rememorando tentativa de golpes militares.
Por outro lado, Vicentinho resolveria a charada interior de que, oriundo da ideologia brizolista (iniciou sua carreira política pelo PDT sob comando de Leonel Brizola), se acomodaria num partido com igual ideologia daquela dos milicos da Revolução combatida pelo ex-governador gaúcho e fluminense, seu presuntivo mentor político dos anos 80 de quem, não raro, dizia-se amigo.
Pragmaticamente a “nova e eterna” aliança evidencia o projeto político de Vicentinho Alves que pode, no campo siqueirista, substituir o governador afastado Mauro Carlesse que teve o apoio do grupo nas eleições de 2018 quando Siqueira saiu-se suplente de Eduardo Gomes e era ele próprio o escolhido para titular do cargo pelo governador afastado. Gomes que havia deixado a coordenação de campanha de Vicentinho contra Carlesse.
Antes, porém, anos atrás, Vicente pai desentendera-se com Siqueira, deu entrevistas rachando com o Palácio (e com o siqueirismo) divulgando uma candidatura ao governo contra o candidato de Siqueira, João Ribeiro. Mais tarde, novas rusgas. No núcleo da questão, problemas com Vicente filho, ainda aspirante a deputado, que não tinha suas incursões em Secretarias de Estado por obras públicas boa aceitação do governador, como era voz corrente nos corredores palacianos.
Vicentinho e Siqueira já estão com o seu palanque como se nota. E com Jair Bolsonaro a tira-colo, não só por questões partidárias, mas pessoais entre o ex-senador e o presidente, amigos de longa data. Situação que reduz potenciais ativos de Eduardo Gomes e Ronaldo Dimas. Gomes, líder de Bolsonaro no Congresso e Dimas com o Podemos, de Sérgio Moro. Ambos potenciais candidatos ao governo e que se movimentarão no mesmo nicho de mercado de votos bolsonarista.
Uma divisão que, indubitavelmente, favoreceria Wanderlei Barbosa como candidato do governo à reeleição.


