Campanhas eleitorais são, via de regra, previsíveis.
O ex-deputado estadual, Eduardo Siqueira, pré-candidato do Podemos, circulou nesta terça (leia aí do lado) nota de desagravo ao deputado federal Filipe Martins (PL).
O objeto: o tratamento dado pelo PL ao parlamentar na agenda do ex-presidente Jair Bolsonaro. Filipe ficou de fora do palanque de Janad Valcari.
A nota parece ser uma defesa antecipada da saída de Filipe do PL e a justa causa seria a “desonra” e o constrangimento a que teria sido submetido o congressista.
A higidez da nota pode levar ao raciocínio de que a provocação de Filipe e a reação do PL na sexta tivessem sido planejadas, a priori, para o resultado que se viu a posteriori.
Filipe sabia que a carreata teria cunho eleitoral. E seu grupo é publicamente apoiador de Eduardo Siqueira. Filipe pode ter tido o "incentivo" de alguém a ir.
Os trejeitos do seu rosto na imagem das redes, com efeito, estão mais para de um "moleque" travesso flagrado na travessura do que de um congressista de 36 mil votos envergonhado e que portanto atraisse indignação pessoal que pudesse expandir. Mas não o fez.
Nesta hipótese, o PL teria caído na armadilha. A nota de Eduardo Siqueira, entretanto, retira a inteligência do fato e a suavidade do gesto.
Levar o assunto grosseiramente ao palanque foi um equívoco monumental. E aí é a palavra de um contra a do outro. Mas Eduardo não é de agir sem fazer contas.
Políticamente, entretanto, a ação aponta para um jogo mais de perde-perde para o Podemos. Eduardo não vai tirar votos do PL, mas pode, numa eventual derrota de Janad no primeiro turno, jogar o PL no segundo turno a outro candidato.
Eduardo também não será útil numa eventual defesa de Filipinho no PL porque é filiado a outro partido, o Podemos. E Filipinho não levará, com a nota, mais votos a Siqueira além do que já achava que transferiria ao candidato do Podemos.
O Podemos de Eduardo Siqueira não faz três meses negou ao deputado estadual Junior Geo sair do Podemos (a que foi levado pela fusão PSC/Podemos) com o mandato.
A disputa se deu. como é público, porque Geo queria disputar a prefeitura muito antes de Eduardo. O Podemos perdeu na Justiça Eleitoral e Geo filiou-se ao PSDB.
E há dois meses o partido acionou a Justiça pelo mandato.
O partido (conforme Geo) teria garantido sua pré-candidatura (a direção regional) e da noite para o dia a repassou a Eduardo no ano passado.
E, segundo já informou o deputado ao blog, com a interferência direta da presidente nacional do Podemos, deputada Renata Abreu
Ou seja, se o PL regional estivesse querendo com Bolsonaro nacionalizar a campanha, o Podemos teria feito antes com a escolha do próprio Eduardo na direção nacional partidária.
Versão confirmada por Eduardo que atribuiu o fato à sua melhor articulação. A Justiça Eleitoral (primeira instância e Tribunal) considerou, entretanto, discriminação a Geo. E autorizou sua desfiliação com o mandato.
E agora Eduardo Siqueira, pré-candidato com o apoio de Filipe Martins, do gabinete do Podemos aponta o dedo para o senador Eduardo Gomes (presidente regional do PL) pela “discriminação” a Filipe Martins. Ainda que o PL tenha optado apoiar um candidato do próprio partido.
Eduardo Gomes que respeitou a decisão do Podemos de brigar pelo mandato de Geo e pelo direito de escolher também seu próprio candidato, o mesmo Eduardo Siqueira que hoje desagrava, numa tentativa direta de intervenção no PL de Eduardo Gomes..
De outro modo: pelas premissas colocadas e demonstrações públicas, Eduardo Siqueira teria uma pre-disposição para intervenções. Só aí tem duas: uma no Podemos e outra no PL. Mas que em campanha eleitoral pode ser vista apenas como mera guerra de posições.
Nada do que não já antecipara este blog na sexta e sábado.


