Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Eduardo não espera exequias de Siqueira: "Essa história não acaba aqui". Como história de Siqueira não estaria mais sujeita a mudanças nem ele poderia modificá-la mais, não é disso que se trata!! E sim de outra coisa, sem qualquer repaginada!

06/07/2023 728 visualizações

O siqueirismo tenta se reinventar da pior forma possível. Ainda sobre o caixão do ex-governador Siqueira Campos ontem, nas suas despedidas exequiais, o ex-deputado estadual Eduardo Siqueira (filho), pré-candidato a prefeito de Palmas, não economizou: “Essa história não acaba aqui”.

A fala pública foi reproduzida pelos veículos de comunicação sem qualquer apontamento de massa crítica de políticos ou mesmo das pessoas com algum senso de razoabilidade que fosse maior do que de oportunidade. Pode abrigar, o fato, variações de entendimento, mas se está diante de um processo eleitoral com candidatos já nas ruas.

Obviamente é um direito de Eduardo expressar-se sobre o pai e sua história política, passada, presente e futura. E também de candidatar-se a obter o aval dos eleitores. Ele vive disso (é também empresário) há mais de três décadas, não é falta de expertise ou de oportunidade, portanto.

E foi um bom prefeito de Palmas, acompanhei peripasso sua gestão (1.993/1.996), num cidade carente de tudo. E agora, tudo indica, não seria apenas o substituto e herdeiro do pai, mas presuntivamente o pai nele encarnado.

Como a história de Siqueira teve ponto final com sua morte, semelhante ao que ocorre a qualquer outro mortal (a não ser que se acredite que estará Siqueira fazendo reuniões numa espécie de Barracão da Vitória celestial, ditando ordens e projetos do além), a expressão descamba para uma tática de guerra de posições pregada pelo fundamento marxista.

Num ambiente em que, pode-se avaliar agora, estariam inocentes úteis, puros e bestas se abraçando e em discursos chorosos verdadeiros até dizendo-se terem perdido um pai. Uns sinceros, outros para as cãmeras fotográficas e para a velha guarda e futuros novos líderes siqueiristas ali presentes.

Afinal, o determinismo histórico (o acaso ou o destinjo) segue, não só no Tocantins, com ou sem Siqueira. E aí fechava-se o ciclo aberto pelo próprio Siqueira, dias atrás (antes de ser internado) apontando, de uma hora para outra, mas não de forma desinteressada ou fora de lugar, Eduardo como seu sucessor, que ninguém tem dúvidas há pelo menos 35 anos desde a criação do Estado e a primeira eleição.

A fala como que traduz a avaliação deste blog ontem (antes do discurso de Eduardo) de que, com a morte de Siqueira, o siqueirismo reergue-se ou segue a sina do ex-governador.

Entre um e outro, Eduardo não titubeou na oportunidade diante de pessoas que ali estavam, na sua maioria, justificadamente, por admiração e gratidão ao ex-governador. Outros por interesses menos confessáveis.

A tarefa de Eduardo não é fácil. Basta ver que há mais de dez anos Siqueira fazia da história que escreveu seu maior ativo político. Tal como se viu na sua morte. E, ainda assim, nos últimos anos, perdeu o governo.

E viu o filho perder o mandato de senador para uma mulher, Kátia Abreu, que, mais tarde, seria decisiva para o retorno político de Siqueira e sua eleição em 2010.

Naquele ano, Siqueira estava sabaticamente isolado em Brasília (DF) depois da derrota para Marcelo Miranda, criatura sua e de Brito Miranda, em 2006. Foi Kátia que o recolocou na agenda política quando ela própria era uma candidata com possibilidades reais (pesquisas) de vencer as eleições para governador diante de Carlos Gaguim.

E Gaguim, como é  sabido,  perdeu para Siqueira, em larga medida, por causa daquele processo rumoroso do MPE de São Paulo (Campinas) - estive lá na coletiva dos promotores e procuradores de SP em Campinas em 2010 - e por um empurrãozão do Ibope que todos que conheciam a campanha por dentro sabiam como se comportava o comitê de campanha e o presidente do Ibope, Carlos Montenegro.

Assim como a gangorra das pesquisas eleitorais, fundamentais, como se viu, no resultado. E, claro, a orientação do publicitário Duda Mendonça, contratado a peso de ouro para recriar, aqui, o slogan de Paulo Maluf: foi Siqueira que fez, é Siqueira que faz. Explicitamente igual ao Foi Maluf que fez, é Maluf que faz, da década de 90. 

Enquanto o então governador Carlos Gaguim (candidato do PMDB à reeleição) ocupava-se de um "governo acelerado" (Acelera) e de administrar deputados a quem loteou publicamente todas as secretarias que passaram a ser, na prática, administradas por parlamentares e não pelo governador. Fato público.

Siqueira isolara-se no DF como isolou-se no Jalapão, após a derrota (que ele próprio precipitou) de seu candidato Moisés Abrão para o emedebista Moisés Avelino em 1.990. Siqueira despachou-se para São Félix e obrigou todos os seus ex-secretários a montarem barraca no Jalapão, vestidos daquele uniforme  (de estética duvidósa que ninguém gostava mas não ousava descumprir) que criou (o Jalapa) que todos os secretários deveriam fazer uso.

Ali, nas eleições de 90, o PMDB tomou o governo de Siqueira apontando a necessidade de salvar o Estado com apenas dois anos de criado. Enquanto Siqueira conduzia uma União do Tocantins (UT), o PMDB ditava o Movimento de Salvação do Tocantins (MST). Em apenas dois anos de governo siqueirista que o havia derrotado dois anos antes (1.988, com Zé Freire candidato ao governo)!!!

E os eleitores em 1.990 escolheram votar nos modebas. Numa conclusão simplista mas não reducionista, acharam que o Estado precisava, primeiro, de salvação. Depóis, de União. Ou seja, a União de Siqueira não os estaria beneficiando.

Eduardo (com o impulso de Siqueira) nas últimas duas eleições de que participou, conseguiu 28 mil votos em 2014 e apenas 17 mil votos (2018), não disputando mandatos em 2022. Mesmo tendo por trás toda essa narrativa de “eterno governador” e de ser filho do único responsável pela criação do Estado.

Depois de ter saído das urnas em 1.998 (após ser prefeito de Palmas) com uma votação histórica de 74,70% dos votos para a única vaga de senador da República disputada. Contra apenas 18% do seu oponente peemedebista, Derval de Paiva.

Está implícito aí que essa gratidão a população concede no voto antecipado. Siqueira (como qualquer detentor de mandato eletivo) recebe pagamento (gratidão) antecipado no voto. Sem demérito à sua história e ao que fez.

Isto, é possível raciocinar, teria diluído, ao longo dos anos, esse capital político. Basta dar uma olhada na alternância dos deputados estaduais, federais e da  próprio composição das chapas majoritárias vencedoras onde se vê queda livre do siqueirismo.

Uma derrota, como se nota, do método. E que Eduardo ontem perspegou sem qualquer repaginação. Pode não ser o melhor caminho.

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