O ex-presidente Jair Bolsonaro fez um discurso menos inflamado nesta sexta. É provável que o calor do meio dia tenha influenciado. O ex-presidente vem de uma internação hospitalar.
Subtraídos os desgastes (e perdas vindouras) da eliminação do deputado federal Filipe Martins da comitiva bolsonarista, o movimento do PL cumpriu seu objetivo: carimbar a deputada Janad Valcari como a candidata do ex-presidente na Capital.
Isto porque, fosse a manifestação apenas de caráter partidário, o deputado federal evangélico (que também é do PL) não teria por que ser proibido de subir no palanque na carreata.
Um lugar que tinha outro deputado federal do PL, Eli Borges, e uma espécie de penetra partidário na festa do PL, o efusivo deputado federal Vicentinho Jr, presidente regional do PP, que narrava a carreata como locutor de rodeios. Coisas mais de "sabujice" oriunda do coração, do que de militância político-partidária.
Vicentinho é presidente da Comissão de Agricultura da Câmara, um cargo de dimensão nacional que requereria outra conduta, mais cuidado. E o seu partido, que o indicou à Comissão, é do presidente da Câmara, Artrur Lira. Uma posição de grandeza. Cargo na mira de lupas maiores.
Diferente da senadora Dorinha Seabra, presidente regional do UB, que teve uma outra leitura e não quis protagonizar a festa de partido dos outros..
A manifestação, obviamente, deu demonstração de que Jair Bolsonaro reúne pessoas.
O deputado evangélico é da Igreja Madureira que tem demonstrado apoio ao pré-candidato Eduardo Siqueira. Do Podemos da mesma base de Bolsonaro. Podemos e PL formaram um mesmo palanque no Estado em 2022.
Não creio que a retirada de Filipinho do palanque tenha sido obra planejada do senador Eduardo Gomes.
O parlamentar é velho conhecido do pai de Filipinho, ex-deputado Amarildo Martins. Não fosse por política, mas por educação e respeito ao cargo do deputado do seu partido (e ao próprio pai do parlamentar) não promoveria a cena pública.
E Eduardo é muito cuidadoso nisso, até mesmo na contrariedade pela não disponibilização da guarda metropolitana pela prefeitura (uma pisada na bola do Executivo metropolitano) para o evento não perdeu o juízo e a compostura.
Dividir igrejas, além do mais, não pode ser considerada uma estratégia política adequada do ponto de vista eleitoral.
Eduardo Gomes bem o sabe com os anos de experiência no Congresso e à bica de uma eleição municipal, escala da sucessão estadual e nacional daqui a dois anos.
Janad e o PL ganharam. Mas poderiam sair sem perdas.


