Uma piada não atingisse de modo sério e indiscutível um projeto político. É o que se poderia dizer do vazamento de trechos de relatório de inquérito da PF que mencionaria que certo empresário APARENTEMENTE (sic) teria feito pagamentos ao senador Eduardo Gomes e pedido favores de interesse da empresa.
E essa coisa aí vai sendo pendurada, rependurada e dependurada nas manchetes de jornais, portais e tvs como se fosse situação mais normal do mundo um político ser mencionado em relatório e ganhado notoriedade (julgado e condenado politicamente) por ter sido mencionado em relatório de ter aparentemente praticado um crime.
No caso, aparentemente ter recebido dinheiro que também aparentemente (conforme se divulga do relatório da PF) o empresário lhe teria pago. Eduardo nega que tenha recebido dinheiro, mas o destaque não é o mesmo do recebimento aparente. Imagina uma pessoa aparentemente ter pedido dinheiro e, claro, aparentemente ter recebido.Dinheiro aparente, crime aparente...Me ajude aí!!! Qual -e o papel da PF?
Como é óbvio, imprensa (ressalvada a regra geral) e PF já foram mais preocupados com o que fazem. Se a PF informa que APARENTEMENTE o empresário teria feito o pagamento e o vaza a veículos de comunicação, tem-se aí evidentemente uma motivação que apostaria no desconhecimento sobre diferenças entre aparência e evidencia nas leis penais. O desdobramento no campo político é claro que tinham certeza do que faziam.
Seria o caso de se perguntar à PF o que significaria esse aparentemente no inquérito policial que fundamentaria, por lógico, denúncias do Ministério Público Federal. É com as informações desse inquérito que o MPF tem que preparar a denúncia à Justiça Federal. A Operaçao Lava-Jato está aí em pleno vapor, pelo jeito.
Uma espécie de fuxico que traz consequências penais posto, mesmo conversa de matildes como de boteco, pode levar MPF a tratá-lo não como aparência, mas evidência, como os meios de comunicação, na prática, o tratam.
Tipo assim: parece que o empresário pagou!!! Loucura total, mas que pegou (e pega) setores do jornalismo que defendem o outroladismo. Ou seja, se alguém dizer que o cidadão é ladrão sem apresentar prova nenhuma o veículo vai lá e publica: fulano chamou sicrano de ladrão e sicrano negou.
Não há dúvidas de que o sicrano ladrão vai fixar-se no consciente popular de forma mais perene do que sua defesa que não seria um larápio.
O senador pode ter lá seus problemas, mas à PF cabe demonstrar pelo menos evidências. E se as trocou por aparência, deduz-se que não as tenha. Mas com o fuxico levou a população (e parte da imprensa) a condená-lo por aparências sem demonstraçao de evidências.
Não à toa um ditado popular persiste: as aparências sempre enganam por isto existirem inquéritos. Mas isto não importa em campanhas eleitorais.


