Eduardo Gomes vai ser secretário do governo Mauro Carlesse. O Senador deu, agora, uma justificativa mais convincente para abrir mão do mandato em pleno início de recesso parlamentar ao suplente Siqueira Campos. Aponto que assumir uma secretaria de Carlesse talvez não tivesse sido o contrato do senador eleito com o eleitor.
Mas é democrático. A maioria do eleitorado, como é notório, escolheu Mauro Carlesse quatro vezes no ano passado. Duas eleições com dois turnos de votação. E ainda teve uma eleição indireta no Legislativo. Isto não tem nava a ver com méritos ou deméritos.
Intuo que a emenda pode ter ficado pior que o soneto. Gomes é senador pelo MDB. Passar a integrar o governo de Mauro Carlesse antípoda dos emedebistas vai estabelecer um racha no partido, cujo desdobramento direto, caso prevaleça a linha do MDB, é a sua expulsão da legenda por motivos óbvios.
E tanto para Gomes e Mauro Carlesse quanto para Jair Bolsonaro (de quem Gomes é um dos líderes no Senado), seria mais producente ter um elemento dentro do MDB do que fora dele em oposição. Nestes casos, não importa se Gomes ficará no governo um mês, dois meses, um ano ou o mandato todo. É a essência e o cenário políticos que foram alterados.
O ex-deputado Junior Coimbra quando tentou levar o então PMDB para as hostes siqueiristas fez diferente e com maior inteligência: não abriu mão do partido e não foi tão explícito como Gomes agora o faz. Preferiu usar de política com um pouco de ética partidária. Ainda assim não obteve êxito por óbvio: MDB e Arena não se misturam.
O raciocínio palaciano é de uma estupidez indecifrável: diz que Gomes é o nome de peso e que dará uma boa dinâmica ao governo por sua ligação com Brasília. Uma platitude. Eduardo é um dos mais articulados políticos em Brasília.
Foi o único político do Estado incluído na lista dos mais influentes do Congresso no primeiro semestre deste ano o que sugeriria uma importância maior lá no Congresso e nos Ministérios por recursos para o Estado.
De outro modo: para o governo, Gomes como secretario seria mais vantajoso do que como senador. Da a impressão que o público pagante age como o asno de Buridan.
Mas não é só isso: o senador Eduardo Gomes pode ter feito a opção por Wanderley Barbosa para a prefeitura, deixando Cínthia Ribeiro na chapada, depois de nomear aliados no Paço municipal. Aliar-se a Wanderley, pelas circunstâncias envolvidas, é desligar-se de Cínthia.
Numa composição para 2022 antecipadamente provocada que pode retirar dos apoios ao governo dois senadores: Kátia Abreu e Irajá Abreu. Que, evidentemente, diante de tais alianças, podem, desde já, buscar os seus para 2020,diante da coalizão Eduardo/Mauro Carlesse/Wanderley Barbosa/Siqueira. Com quatro anos de precipitação.
Como se nota, politicamente poderia ser mais producente ao Senador ter ficado com o direito de licenciar-se para assunção do suplente, mesmo que pensasse fazer composição com Mauro Carlesse. O passivo, se houvesse, ficaria só aí. Preferiu ficar com o governo desde já que tem a prerrogativa de escolher (à sua hora e conveniência) aquele que apoiará em 2020 e 2022. E aí abriu brecha para ficar sem o partido e o governo arriscar perder apoios com tanta antecedência.


