Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Eduardo apagou, por enquanto, o princípio de incêndio na Educação. Mas pode ir logo fazer curso de bombeiro porque a dois anos das eleições estaduais e nacionais, a divisão é um objeto em queda livre

09/01/2025 812 visualizações

A coletiva de imprensa do prefeito Eduardo Siqueira serviu ontem para, primeiro, acalmar os professores e sindicalistas. Eduardo cumpriu o que prometeu e vai contratar os concursados na medida da Justiça.

E, segundamente, apagar o princípio de incêndio político pela desastrada declaração da Secretária de Educação. Eduardo tem feito esforço para aproximar-se de Lula.

Nada mais eloquente que a criação da secretaria do ex-senador Vicentinho Alves, no DF. Pouca gente sabe, mas Vicentinho foi um dos fundadores do PDT no Estado.

Sua relação com Lula é antiga. E prosseguiu, apesar do "sapo barbudo" como Leonel Brizola adjetivava o presidente. São muito próximos e tem interlocução permanente. É uma aproximação também política que favorece a Eduardo.

A Eduardo não deve escapar que, no Estado, o bolsonarismo é comandado por Eduardo Gomes (PL) que tem seus próprios projetos e grupo. E ao PT também não deve ser prudente ficar afastado dessa guerra de movimentos partidários.

Na Educação, onde alojou o bolsonarismo da igreja Madureira (a secretária sequer apagou as imagens das campanhas bolsonaristas de suas redes), é provável que o prefeito Eduardo não esteja livre da necessidade de novos apagões.

Não por falta de experiência ou estudos acadêmicos da Secretária. Mas por que subordinada a um poder maior que o do próprio prefeito: o pensamento político do ex-deputado Amarildo Martins e do deputado Filipe Martins.

Uma linha que é necessário respeitar, mas contestar quando confrontar-se com a democracia do estado laico. Uma linha demarcatória inconteste.

Não contida, a cada demanda, não é pequena a possibilidade de Eduardo afastar-se da política antípoda a Jair Bolsonaro.

E ser engolido pelo bolsonarismo melhor estruturado com maior capilaridade, partidariamente, no Estado. É um risco que corre. Os evangélicos, embora divididos, se dizem do campo da direita.

Seria apenas uma composição democrática, produto de um governo legítimo de coalização, não fosse os evangélicos terem histórico de defender anacronismos. São contra avanços sociais, LGBTS, aborto legal e que tais. E confundir o estado laico com estado evangélico.

Especialmente na Educação onde pastores foram flagrados no governo Bolsonaro negociando verbas do Ministério que teve até um ministro preso por corrupção. 

Lembram-se dos pastores cobrando propina no Ministério da Educação em barras de ouro no governo Bolsonaro?

Vai acontecer o mesmo em Palmas? Intuo que não. Muito embora a pasta tenha sido preenchida,  nos cargos, por religiosos. Mas religiosos corruptos não são corruptos por serem religiosos.

Mas do ponto de vista político é uma bomba que precisa ser desarmada. E o prefeito tem ainda que administrar a cidade e seu próprio projeto político.

PS: o governador Wanderlei Barbosa mandou ontem representante à celebração do 8 de janeiro, realizado por Lula. Coisa que não fez no ano passado, quando seguiu o bolsonarismo. 

Na época, deu uma desculpa esfarrapada de que estava de licença médica.

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