A situação da candidatura da senadora Dorinha Seabra (UP) é, hoje, os movimentos políticos o apontam, mais desfavorável do que em 4 de outubro.
Dorinha chegou ao 2º turno quase nas cordas quando sua “entourage” (e institutos de pesquisas aliados) davam-na ocupando a cadeira de Wanderlei no 1º turno.
Muitos reclamaram que não receberam sequer uma ligação da senadora-candidata no primeiro turno. Nem depois.
Com jornalistas, só atendia os escolhidos acostumados a apenas reproduzir suas colocações.
Subestimaram, seus áulicos, o poder da indisfarçável dificuldade de Dorinha de apertar a mão ou abraçar pessoas malcheirosas, roupas em trapos ou de mãos sujas. Ainda que involuntariamente.
Era mais aquela professorinha de óculos com tampa de garrafa e saia godê bem gomada, que mandava a criança lavar as mãos na escola antes da merenda.
Do que o pai que sujava as mãos na massa de cimento ou a mãe com a mão fedendo a sabão de sêbo para oferecê-la, a comida, ao filho.
Uma diferença nada irrelevante para os 900 mil no cadastro único do governo federal. E os 600 mil dependurados no Bolsa Família.
Fato é que os políticos que degustam (e não apenas cheiram ou lambem) chambari na feira (e que vivem mais do aperto de mão que do dinheiro), passada a eleição proporcional, inclinaram-se na direção do povão que se vê mais representado, por enquanto,na imagem de Vicentinho.
Pode-se dizer tudo do candidato do PSDB. Menos que exercite seu modo popular (uma herança do pai e do avô).
Exemplo: na romaria de Bonfim, Vicentinho é um romeiro. Dorinha, apesar do esforço, tende a ser vista como turista.
Pode mudar? Pode! A Senadora é uma política técnica competente, líder nacional do seu partido e tem serviço prestado ao Estado.
Mas para inverter a captação de bagres no segundo turno contra os peixões que mudaram-se para Vicentinho vai ter que mudar muito.
E tudo começa por disciplinar seu modo de fazer política. Resta saber se tem essa percepção e vontade.


