Não se pode negar aos governos (e governadores) o exercício da política. Mas tem aproveitamentos que deveriam ser melhor avaliados.
O Palácio Araguaia tem tentado capitalizar a audiência do governador Wanderlei Barbosa com o ministro dos Portos, Márcio França, esta semana apresentando o pleito do Tocantins como se fosse determinante no derrocamento do Pedral do Lourenço.
Fundamental para a hidrovia Araguaia/Tocantins, mas não suficiente para sua utilização. Há a necessidade de, depois da derrocagem do Pedral, de construir-se eclusas na UHE Estreito, UHE Peixe/Angical e na UHE Luis Eduardo.
Nas duas primeiras não há sequer projetos. Já na da UHE Luis Eduardo escorreram milhões de reais e não se sabe se existem pelo menos escombros ou esqueletos de obras ali em Lageado.
A expressão, no entanto, é a de que Wanderlei, com a audiência, teria garantido ampliação da estrutura logística e transporte. Os desavisados entenderiam que o Pedral só sairá porque Wanderlei teria pedido.
E que, com o derrocamento, o porto de Praia Norte, no Bico do Papagaio (aliás privado) solucionaria os problemas de transporte do Estado.
Caros, o derrocamento do Pedral foi licitado pela ex-presidente Dilma Roussef (2014). A primeira etapa da licitação foi concluída já na gestão da ex-senadora Kátia Abreu no Ministério da Agricultura (2016). O Ibama só liberou a licença prévia no ano passado (governo Jair Bolsonaro).
Ou seja, o projeto já está em execução. De forma que a vontade política estadual assume, na forma colocada, o papel típico representativo, na intenção manifesta, do axioma acaciano do depois disso, por causa disso.
E que confrontado com os fatos realçariam o seu contrário: na prática do mundo real e não ideado, todos sabemos que não é porque o galo canta, que nasceria o sol.


