A deputada Dorinha Seabra está se saindo melhor que encomenda. Tem tido projeção nacional elogiada com o relatório do Fundeb (fundamental para a educação no país), aumentou a musculatura política do partido, resistiu até agora às investidas do deputado Carlos Gaguim para entregar o Democratas a Mauro Carlesse e ontem filiou à legenda o presidente da Câmara de Palmas, vereador Marilon Barbosa.
Tem apoio do presidente nacional da sigla, ACM Neto e dos presidentes da Câmara (Rodrigo Maia) e do Senado (Davi Alcolumbre). É ainda presidente do Democratas Mulher nacional. Não é pouco.
Posições que requereriam, por simples lógica política, mais prudência de Carlos Gaguim ao tentar convencer Mauro Carlesse à aventura do golpe partidário e do Governador ao embarcar na tese de que por ser governador necessariamente seria o líder do partido apenas nele se filiando. Sem o exercício de retórica, dialética ou convencimento político das lideranças que já estavam na janelinha.
A dois dias do prazo de mudança partidária a ida de Marilon para o Democratas sinaliza, a priori, a formalização da desistência do vice-governador Wanderlei Barbosa da disputa na Capital. E, via de consequência, seu embarque, ainda que indireto, na campanha à reeleição de Cínthia Ribeiro, junto com o seu irmão mais velho, o vereador Marilon Barbosa.
Do contrário, seria imaginar que de hoje até sexta-feira (quando expira a janela partidária), Marilon mudasse novamente de partido para acompanhar o vice, ou Wanderlei Barbosa se filiasse ao Democratas e Dorinha Seabra o apoiasse em favor do Palácio e em detrimento de Cínthia Ribeiro.
A proximidade e sintonia aparentes entre Dorinha e Cínthia sugerem que Marilon, agora no Democratas, pode se constituir em uma opção para o cargo de vice-prefeito, contemplando, assim, tanto o Democratas quanto o vice-governador, na viabilização de políticas públicas para a Capital no projeto que tinha, até agora, como proposta para a cidade e que o impulsionava à disputa.
Dorinha, como é notório, afastou-se do governo em resistência à pública tentativa do Palácio de tomar-lhe o partido. Estratégia governista tendente desde o princípio a dar com os burros nágua e premonitória do racha que jogaria no colo de Cínthia o Democratas, em detrimento de Wanderlei Barbosa, tal como ocorre.
Evidente que há pesquisas indicando desaprovação do governo do Estado na Capital e isto pudesse implicar em receios compreensíveis do vice. Mas o raciocínio leva à conclusão de que Carlos Gaguim teria operado contra o vice-governador. O deputado queria acelerar o Democratas, mas conseguiu mesmo foi acelerar a saída de Wanderlei da disputa.
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