A ocorrência na Praia da Graciosa na noite de ontem quando um restaurante - com estrutura coberta de lona – teve uma parte derrubada pelo vento, provocando ferimentos nos frequentadores, poderia ter sido pior, consideradas as condições dadas.
E remete a uma discussão precedente: a autorização das autoridades municipais e estaduais para o funcionamento de um estabelecimento com tal estrutura às margens de um grande lago que, pela própria lei da física, os impediriam de concedê-la, em função das condições meteorológicas e oscilações frequentes de ventos na região.
A licença foi duramente criticada na sua concessão não sem razões como faz prova, agora, o acidente da noite de ontem. A resistência e preocupação foram vencidas pelo argumento econômico, deixando de lado, por questões financeiras (que dizem mais respeito ao empreendedor do que ao bem público) os evidentes riscos que a estrutura improvisada pode causar aos frequentadores.
Sem deixar de apontar, por consequência, a possibilidade concreta de riscos ambientais. Vícios que foram negligenciados pelos próprios frequentadores, em larga escala, formadores de opinião e situados nas classes de renda de maior poder aquisitivo.
Muito presente no cuidado que se dá à amplificação da ocorrência na omissão do nome do restaurante (Dona Maria Beach) nos grandes portais de notícia, preservando-lhe do escrutínio policial acerca de sua participação efetiva em evento que por pouco não teria provocado uma tragédia de proporções imponderáveis.


