Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Dois séculos após Marx, capitalismo se realimenta com dinheiro público e a emancipação política do voto. De cabresto!

luizarmandocosta 05/09/2020 677 visualizações

Os políticos (profissionais ou amadores querendo sê-lo) se movimentam para pedir votos e conseguir um emprego (ou mantê-lo) novamente. Sobram onze dias para conseguirem inscrever-se no concurso (16 de setembro finda prazo das convenções) e dois meses dez dias para passarem no teste (15 de novembro). Fora as restrições impostas pela pandemia, o discurso é como uma roda girando no mesmo lugar.

Nada não antecipado por Karl Max na primeira metade do século XIX (Manuscritos Econômicos e Filosóficos/1.844) ou pelo professor brasileiro Victor Nunes, um século depois (Coronelismo, Enxada e Voto/1.948), um tratado sobre o voto de cabresto no país. Vivemos, portanto, um anacronismo crônico e uma nítida opção de classe.

Uma escolha evidentemente determinada pela sociedade política dominante que pretende daqui a dois meses, pretextando uma espécie de emancipação política da sociedade civil (população), manter o status quo (ou conseguir uma boquinha para obtê-lo). Milhares deles já estão nas redes sociais (e nas ruas) demonstrando a melhor boa fé e pregando a liberdade do voto.

Uma liberdade aprisionada. No Estado do Tocantins serão disputados 278 empregos (de prefeito e vice) e cerca de 1 mil e duzentos de vereador. Os tais emancipados (pelo Tribunal Regional Eleitoral) seriam 1 milhão e 35 mil eleitores.

E quem são esses emancipados politicamente: em 32 anos de Estado, o Tocantins formou, com essa sociedade política eleita pelos tais emancipados, um exército de 102 mil pessoas na extrema pobreza (IBGE/2019) – que sobrevive com menos US$ 1,90/dia/R$ 10,00/cotação deste sábado – e 490 mil (31% da população) na pobreza (menos de R$ 25,00/dia/US$ 5,50). De outro modo, 532 mil pessoas (um terço dos moradores) tem renda mensal abaixo de R$ 750,00. Pior: 102 mil miseráveis teriam R$ 300 reais para passar o mês e alimentar suas famílias.

É neste contexto que novamente se dará (como nas outras vezes se deu) a campanha para definição dos nomes que pudessem dar fim a esse estado de miserabilidade em meio a propagandas vocacionais de estado rico propulsionada pela mesma classe dominante.

Uma classe que impõe a sua própria evolução garantida pelas 350 mil cestas básicas já distribuídas este ano pelo governo (só na pandemia). Mais: as 520 mil pessoas que estão sendo beneficiadas pelo governo federal com a esmola do auxílio emergencial, contra os 189 mil que tem carteira assinada no Estado. E outros 119 mil (governo federal/2020) tem como renda mensal o Bolsa Família de um cadastro de 292 mil interessados.

É o capitalismo se reinventando às avessas. Desta feita com dinheiro público e legitimado pela emancipação política do voto. Ainda que de cabresto.

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