Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Do Século XII ao Século XXI: templários evangélicos devem lotar Câmara amanhã contra veto, fazendo de anticristos os defensores da Constituição! Ungidos no lupanar!

20/03/2023 410 visualizações

Amanhã os evangélicos devem tomar a Câmara de assalto, arrebanhados (como no 8 de janeiro) para reivindicar a derrubada do veto ao projeto inconstitucional do ex-vereador evangélico Filipe Martins (hoje deputado federal), proibindo a linguagem neutra que não existe na legislação.E afrontando a letra da Constituição que impõe as competências legislativas.

Avalia-se que a discussão é moral!!! Sim, também!!! Os evangélicos querem determinar no país suas regras como imperativo categórico, salvo as exceções, flagrantemente imorais. Mas tem aí ingrediente ideológico e pragmático. Há uma igreja evangélica em cada esquina na Capital. A maioria em imóvel doado pela prefeitura com a aprovação dos vereadores. Dos imóveis alugados, podem também ficar sem pagar imposto se aprovada a PEC do evangélico Marcelo Crivela, em tramitação na Câmara dos Deputados. Uma baba!!! 

Na Câmara de Palmas é pública a régua preconceituosa e anti-inclusivista da maioria parlamentar. Contrária aos avanços do país. Se pudessem, obrigariam todos a uma religião, a acreditar em Adão e Eva ou que a terra é plana, eliminar os LGBTs.... Na Covid-19, foram contra a vacina e a favor da cloroquina e hoje financiaram, no país, os golpistas de 8 de janeiro.

Noto que em 2006 um amigo pastor (que havia fundado sua própria igreja evangélica na Vila União) queria contratar-me para cuidar de sua separação conjugal da esposa que o havia ajudado a arrebanhar os fiéis.

Transformava a separação em litigiosa o fato de ambos quererem ficar com a igreja. Não aceitavam sequer dividi-la. Recusei-me a promover a ação porque não iria peticionar a um juiz que incluísse a igreja em bens. Não iria passar um atestado desses.

Conto isto para ilustrar a conduta dos pastores e das igrejas que, como é sabido, funcionam como franquias. Tem renda dividida entre os chefes locais e a “nação” evangélica a que pertencem. Muitos (a maioria) fizeram da igreja um negócio lucrativo e enriqueceram-se. Público, porque sequer disfarçam.

É esse contingente (que é minoria na população palmense) que se está combatendo. De forma que segue o cordão da insensatez. Amanhã a Câmara Municipal promete um debate sobre o veto da prefeita Cínthia Ribeiro ao projeto de lei do ex-vereador Filipe Martins proibindo a linguagem neutra nas escolas municipais.

Filipe é filho do ex-deputado federal Amarildo Martins, “dono” de uma das igrejas evangélicas do Estado.

Amarildo – que não tem mandato – tentou fazer valer sua linguagem na Câmara na semana passada contra o adiamento da votação. Devia ter como certo a derrubada do veto. Adiamento dava mais tempo para iluminar a questão.

A qualquer preço, a vontade de Amarildo dá aos vereadores da sua bancada o papel de vereadores de Igreja e não de Estado. Onde o chefe déspota seria o próprio pastor, e não a Constituição que determina a autoridade da lei.

O hoje só pastor, aliás, se movimenta de costas para o passado quando uma CPI no Congresso (2006) recomendou a cassação de seu mandato por suposto envolvimento na máfia das ambulâncias (Operação Sanguessuga). Desvio de recursos da saúde!!!

Nada muito diferente das barras de ouro das propinas dos pastores goianos no MEC, surrupiadas de municípios que, se já não tinham nada, poderiam também não ter o reino dos céus não entregassem os bezerros de ouro. Com Bolsonaro.

O veto do projeto inconstitucional na Câmara de Palmas necessita de apenas maioria absoluta para ser derrubado. Ou seja, metade mais um dos vereadores

Deve ser um caso inédito no país, assim, em que um veto do Executivo, por absoluta inconstitucionalidade da proposição do Legislativo (e com abundante jurisprudência no STF) e a clareza solar da CF, é submetido à apreciação pública, negando o processo legislativo na medida que o intercepta e o fragiliza.

A pergunta obrigatória é: a população (sociedade organizada e desorganizada) teria poderes para alterar, de forma direta, a Constituição da República, apesar do sistema da democracia representativa em vigor no país? A resposta é não!!!

Sobraria, portanto, para a presidência da Câmara a justificar tal debate, tão somente a argumentação política. Sobre um objeto que ataca a norma constitucional que os bolsonaristas (como os evangélicos defensores do projeto) fizeram tábula rasa nos últimos quatro anos.

O presidente, que é aliado da prefeita, tencionaria, desta forma, supõe-se, agregar opiniões favoráveis e fortalecer o veto (com a discussão pública da ilegalidade) – ou expor os inconstitucionais pagos com recursos públicos para fazer justamente o contrário.

Base parlamentar ao veto de que Cínthia talvez não tivesse se ocupado e disto obviamente não precisasse dado que já se apóia na lei maior do país e no Supremo Tribunal Federal.

Ah, a discussão é moral!!! Que moral ou ética e qual moral ou ética teriam parlamentares que pretendem transformar sua religião em religião de Estado num Estado constitucionalmente laico? Que segrega homossexuais e aqueles que com eles não concordam?

Deveriam estar nos templos e não no Legislativo.

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