O ministro da Economia, Paulo Guedes, precipitou esta semana que o governo federal está quebrado. Não é o melhor que se poderia ter da maior autoridade monetária e econômica do país, responsável justamente por acertá-la.
Com efeito, a dívida pública (divulgada esta semana pelo Banco Central) aponta o buraco: para se financiar, o governo federal já deve R$ 5,2 trilhões. O equivalente a 70% do PIB do país que fechou 2020 em R$ 7,4 trilhões. O governo deve, assim, um valor igual a mais de dois terços de tudo que o país produz em um ano. Vai rolando até gastar todas as reservas e retornar ao FMI.
E o que o Tocantins tem a ver com esta história? Os governantes e a sociedade política do Estado implantaram por aqui a mesma sistemática: aumentar gastos e financiar o crescimento com o aumento da dívida de forma desproporcional ao crescimento do PIB que é o gerador de receitas. E isto com arrecadação tributária em alta.
De 2010 a 2020, para um aumento do PIB da ordem de 106%, o governo elevou sua dívida consolidada em 389%. Saiu de um PIB de R$ 17,240 bilhões (2010) para R$ 35,666 bilhões (2020). Mas elevou a dívida consolidada de R$ 1,085 bilhões (2010) para R$ 5,313 bilhões (2020).
No ano passado, Mauro Carlesse a reduziu um pouco dado que fechara 2019 em R$ 5,419 bilhões. O Estado deve hoje (dívida consolidada) o equivalente a 14% do PIB. Um quinto das riquezas em três décadas. Não é insignificante a curva de aceleração da dívida comparada ao desempenho da dívida pública da União.
Um dos gastos mais relevantes reside na folha de salários. Para aquele aumento de 106% das riquezas do Estado de 2010 a 2020, o governo elevou os gastos com funcionalismo no período em 187%. Saiu de R$ 1,832 bilhões brutos (2010) para os R$ 5,264 bilhões brutos (2020). O ápice ocorreu em 2010 no governo acelerado.
Em contrapartida, resultado da pressão da dívida, aumento dos gastos e não acompanhamento do PIB, o governo reduziu em 134% os investimentos no Estado. Em 2010, ele investiu R$ 843 milhões contra os R$ 361 milhões (liquidados) em 2020. Investimentos constituem uma das atividades-fins mais relevantes do poder público porque gera melhorias, empregos e renda. Mas no Estados eles refluiram algo próximo de meio bilhão de reais em dez anos.
De outro modo: o Estado ainda não está quebrado. Mas esta pressão aí termina por reduzir sua liquidez (que teve de volta neste governo) e, no limite, voltar à insolvência registrada nos governos anteriores.


