Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Ditadura a conta-gotas: Ministério da Saúde decide esconder óbitos e contaminados da população. Uma ilegalidade inequívoca!Uma aberração!!!!

luizarmandocosta 06/06/2020 574 visualizações

Quando pontuei aqui há mais de dois meses que o Ministério da Saúde mudava a pauta, impondo o enfoque das informações no número de curados e não de contaminados e mortos (e que parte da imprensa, inclusive por aqui, encampou), muitos leitores bolsonaristas criticaram o blog. Aliás, alguns faziam campanha para a divulgação apenas dos que saiam da Covid-19. Como é notório, ditadura começa aos poucos, comprovado, agora, dois meses depois, na não divulgação dos números tal como ocorrem.

Contabilizadas 35 mil mortes (1005 óbitos ontem/uma morte a cada minuto e meio) e 645 mil casos (30.800 casos na sexta/21 casos a cada um minuto) o presidente Jair Bolsonaro decidiu esconder casos e óbitos e adiar a divulgação das ocorrências para que uma rede de televisão/Globo (que denomina de tv funerária) não as dê conhecimento à população.

No mesmo dia, reúne pastores para, segundo ele, orarem contra a "baderna" e o "quebra-quebra" dos maconheiros (a quem denomina os manifestantes) que devem ir às ruas amanhã em defesa da democracia e contra o fascismo em gestação. Pastores de igrejas que devem R$ 420 milhões de INSS (conforme a Procuradoria da Fazenda Nacional) e que mobilizam suas bancadas (e Bolsonaro) por uma anistia do débito.

Primeiro, uma obviedade: divulgar os números públicos é uma obrigação legal, constitucional, na administração pública. E não é dado a governo nenhum sonegar informações ao público por prerrogativas discricionárias. Se a moda pega, daqui a pouco o governo decide por sua própria vontade, não publicar contratações e pagamentos na administração pública. Ou sonegar atos de ofício da administração.

E segundo, não menos relevante, não é a divulgação dos óbitos e casos que vai fazer aumentar o número deles. Quebrar o termômetro não baixa a febre. Pelo contrário: ajuda na sua redução na medida em que alerta a população para sua gravidade, favorecendo o distanciamento, única medida eficaz (conforme a ciência) para achatar a curva da contaminação.

E terceiro, Jair Bolsonaro não convocou Exército (militar ou de pastores) para irem contra a baderna de seus apoiadores que toda semana bagunçam Brasília e outras cidades do país, na sua defesa contra um inimigo surreal e declarado: o comunismo que nunca conseguiu ser implantado no país. E os petistas (que não são comunistas, lógico) deixaram Bolsonaro governar livremente desde a posse. Não há oposição ao governo.

Bolsonaro deveria tratar a pandemia e as 35 mil mortes (terceiro país em número de mortes e segundo nos contaminados) com a mesma "bravura" com que se movimenta contra manifestações públicas que não lhe são favoráveis. Movido por um inimigo criado por sua personalidade pscótica e que encontrou eco em outros com o mesmo desvio de personalidade.

Mas faz o contrário: quer esconder os números da população, resultado, em larga medida, de sua irresponsabilidade na administração da pandemia.

O Brasil segue, com Bolsonaro e seus seguidores, para a negação dos avanços civilizatórios e democráticos do país. E isto necessita de freios caso contrário foi-se a liberdade para a volta da ditadura e do absolutismo primário presente nas ações do atual presidente.

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