Intuo que já exista um movimento em curso que pode levar as redes sociais ao que nunca deixaram de ser: lugar de fofocas e mexericos. No que é uma pena. Não sem razão, a maioria dos políticos (raríssimas exceções à parte) encontrou nelas porto seguro para o que já faziam antes delas: fuxicos e mais fuxicos.
Busque aí um assessor sério de político que não confirme que seus assessorados dão mais valor aos conselhos auriculares e passionais das lideranças políticas que dizem ser suas do que a fundamentos e princípios.
De outro modo: a validade do argumento é auferida e conferida pelo suposto número de votos que poderá granjear-lhes os vaqueiros, cada um, claro, com seu interesse particular. E menosprezo à verdade. Um relativismo tão demagógico quanto prejudicial à democracia que os sustenta e os garante.
Daí os políticos cada vez mais ganhem as redes sociais, adentrarem as redes particulares, para levar adiante a sua mensagem. É como se fuxicassem com suas lideranças no interior do Estado, de preferência num boteco ou num flutuante de beira de rio.
Sem pedir-lhes autorização, lá estão a encher instagran, facebook ou twitter, vendendo o seu produto, não raro, podre. Ou seja, aumentando o número de vaqueiros mas oferecendo produto não muito indicado para consumo. Já presenciei político com mandato proclamar que prefere as redes a ter suas propostas explicadas por jornalistas de veículos públicos, ainda que privados.
O problema não é das redes. E sim da forma como ela tem sido utilizada pela sociedade política que, por óbvio, puxa a sociedade civil (especialmente a desinformada) para o esgoto. Quando o meio democrático das redes poderia ser canal de informação segura cujo interesse se acomodasse à transparência e verdade. Sem mexericos da Candinha.
Leia mais:https://www.jornaldotocantins.com.br/editorias/opiniao/tend%C3%AAncias-e-ideias-1.1694943/distor%C3%A7%C3%A3o-subordinando-a-verdade-1.2323952


