O Palácio entra a semana com a reforma em andamento. Na base do secretariado nada mudou, sugerindo uma reestruturação meia-boca.
Manteve o núcleo Fazenda, Administração, Planejamento, Saúde, Educação, Casa Civil e PM.
É, com efeito, mais producente manter o que vem sendo feito (com menos equívocos que em governos anteriores) do que mudar para subtrair.
Ou trocar seis por meia dúzia e ainda correr riscos. A reforma,do ponto de vista político, seria, metaforicamente, apenas uma parada sem troca de pneus que estão rodando.
Do que falta, apenas dois setores que integram essa base seguem pendentes: Segurança Pública e Cidadania e Justiça. Ou seja, a Polícia Civil.
É um dos setores do governo que reivindica transformar-se em um poder, como o Executivo, Legislativo, Judiciário, TCE, MPE ou Defensoria.
Na Segurança, por exemplo, os delegados são um corpo político. Mandam na Secretaria. E, agora, na definição do titular da pasta, trocaram notas públicas com os agentes.
Se são subordinados hierarquicamente na administração, políticamente tem pauta diferente.
Delegados defendendo a permanência do secretário (que teria concedido reajustes diferenciados e mantido as indenizações) e policiais criticando justamente a discricionariedade do tratamento entre as categorias. Nada de interesse público.
Na Cidadania e Justiça, Deusiano Amorim também é delegado. É uma pasta difícil de administrar dado o elenco e variedade de atribuições. Tem a seu favor que, apesar de vínculos políticos e de amizade com Wanderlei, não se meteu em política.
O contrário de Wladimir Mota (SSP) que aspirava disputar a prefeitura de Pedro Afonso, colégio eleitoral caro ao Governador.
São pastas, entretanto, que tiveram tratamento diferenciado no orçamento de 2025 aprovado pelo governo e deputados.
Enquanto a Secretaria de Segurança teve aumentada sua verba de R$ 528 milhões para R$ 578 milhões (9,4%) a Cidadania passou de R$ 180 milhões (no ano passado) para os atuais R$ 310 milhões. Um reajuste orçamentário de 72,2% no ano.
Pode estar aí um ambiente para a divisão de forças políticas (ou pelo menos equipará-las) na segurança em favor do controle (constitucional) do governo sobre as funções.
Considerando os fatores da equação que sugerem, até aqui, a liderança da polícia civil e delegados a expressão de assombração de titulares do governo. Por bem ou por mal.


