Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Disputa de egos: MDB divide-se entre apoiar Cínthia ou não. No que poderia enxergar-se ativo político, próceres emedebistas veem riscos de perda de poder

luizarmandocosta 13/02/2020 396 visualizações

O MDB não tem jeito. Não tem qualquer possibilidade de disputar, com probabilidade de êxito, a prefeitura de Palmas. Mas se divide entre apoiar Cínthia Ribeiro ou não. Não há outra possibilidade mais producente nas atuais circunstâncias.

Isto porque as outras opções já colocadas, Thiago Andrino (Carlos Amastha) e Wanderlei Barbosa (Mauro Carlesse) seriam, em tese, descartáveis pela memória político-eleitoral dos três grupos. Antípodas irreconciliáveis.

No meio do cisma: a deputada federal Dulce Miranda e o senador Eduardo Gomes. As maiores lideranças do partido no Estado. Eduardo (apesar de líder de Bolsonaro no Congresso, com tudo que isto representa de poder político) tem se movimentado com prudência, sem apresentar tais credenciais que poderia, por direito, reivindicar.

No que se vê, em condições naturais, ativo político ao partido, tudo concorre para o contrário: representar ameaça a Dulce Miranda, que se considera herdeira presuntiva dos ativos políticos emedebistas depois da derrocada de Marcelo Miranda.

Ação e reação recorrente, em se tratando de Dulce Miranda, a exemplo dos atritos que provocou nas lideranças emedebistas (com Marcelo no governo) ao canibalizar colégios eleitorais, impulsionando, com a estratégia, a desfiliação da deputada Josi Nunes, histórica parlamentar do partido.

A proximidade inconteste de Eduardo Gomes com Cínthia favorece, assim, por gravidade, a imposição de dificultadores à aliança do MDB com a prefeita, na exata proporção da avaliação de que daria maior musculatura ao Senador, realçando seu protagonismo que já é indiscutível, tanto pelo mandato como pelo cargo de confiança presidencial.

Não à toa, o presidente regional do MDB, deputado Nilton Franco, buscava interlocução na terça em Brasília (DF), em conversações com Eduardo Gomes. Ele próprio numa sinuca de bico posto considerado instrumento de Dulce Miranda, ainda que se considere os entendimentos como incentivados pela parlamentar.

"Há políticos que não conseguem discernir o momento de imergir ou emergir", avaliou ontem a este blog um parlamentar emedebista, num nítido retrato de Dulce Miranda (e que fazia questão de realçar no anonimato), esposa do governador Marcelo Miranda, cassado duas vezes e preso por cerca de 140 dias numa cela do Comando da Polícia Militar.

Imersão ou emersão. Eis a questão.

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