Poderia destacar no discurso de Wanderlei Barbosa neste domingo três pontos relevantes: 1) administração; 2)movimentação política e 3) princípios e fundamentos pessoais.
Começo pelo terceiro com a relevância da expressão de reconhecimento de Wanderlei com a família, o pai Fenelon e a mãe Maria Rosa. Poucos sabem, mas é uma família tão tradicional quanto numerosa de Porto Nacional, sem qualquer desvio moral e ético. O choro do Governador é, assim, compreensível e até admirável.
Quem conhece Fenelon e a família desde antes ser prefeito de Taquaruçu e aceitar abrir mão do município para abrigar a Capital, sabe bem do que digo. Maria Rosa e Fenelon, com Totó Cavalcante e o prefeito de Porto, Euvaldo Tomaz, foram grandes lutadores pela emancipação do distrito.
Maria Rosa era uma grande liderança (dá nome ao primeiro Conjunto Habitacional de Taquaralto) - uma espécie de compensação ao seu trabalho indiscutível certo modo contido pelo siqueirismo - , tanto que conseguiu levar o irmão, Antônio Comprido, para vice de Euvaldo.
Acordo que levou Fenelon à prefeitura. Euvaldo era do MDB e Siqueira Arena. O MDB criou Taquaruçu. Siqueira, da Arena, desconstruiu parte dessa história, transformando o município em distrito novamente da cidade que ele, Siqueira, criou.
Um estrategema indiscutível que foi adante na omissão do Legislativo estadual, por força das condições econômicas da populaçao de Taquaruçu e as circunstâncias de implantação do Estado a qualquer custo, modo e forma..
Acompanhei a mudança para Palmas e a tentativa reiterada do siqueirismo para reduzir o tamanho de Fenelon, amplificando-o como um vaqueiro. Assim como fizeram com o então prefeito de Miracema, então capital provisória, Sebastião Borba.
E a tentativa avançou anos não sem o aval dos setores de comunicação que levavam adiante a informação mentirosa de que Eduardo Siqueira seria o primeiro prefeito eleito de Palmas (apagando literalmente Fenelon Barbosa).
Mesmo que Palmas fosse uma ficção já que o município era Taquaruçu. Muitos ainda defendem que na verdade a Capital é Taquaruçu e Palmas seria apenas um dos seus bairros. Não é um raciocínio desprovido de certa lógica. Dai o choro de Wanderlei.
Do ponto de vista administrativo, o Governador informou hoje que fecha o ano com um superávit financeiro de R$ 800 milhões. Ou seja, pagando todas as dívidas, salários, saúde, educação, infraestrutura, sobra isto aí. É um dado espetacular.
Wanderlei também pregou a excelência administrativa nas compras e contratações, orientando os municípios a seguirem os princípios de transparência do governo. Com efeito, em um ano não apareceu denúncia de desvios de Wanderlei. Os processos em curso dizem respeito à gestão Mauro Carlesse.
E por último Wanderlei foi claro quanto à aproximação do presidente Lula. Wanderlei, mesmo de partido da base bolsonarista, segurou o apoio público ao ex-presidente até a undécima hora. E constrói pontes, como acenou, com Lula por intermédio do ex-governador do Amapá.
Waldez Goes será ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, cargo que teria sido oferecido à senadora eleita Dorinha Seabra, do União Brasil, que deve ser a ligação entre um e outro. Não a toa, Wanderlei cumprimentou hoje o deputado petista Zé Roberto, derrotado para deputado federal, mas presidente regional do PT. Sem deixar de lado os lideres do MDB autêntico no Estado.
Uma grande concertação regional que pode concorrer para a melhoria dos pobres e extremo pobres do Estado que aumentam a cada ano na proporção inversa do crescimento do PIB.


