Dois anúncios feitos ontem por Eduardo Siqueira ao T1 Notícias (da jornalista Roberta Tum) dão mais tintas ao projeto do prefeito diplomado.
Rolf Vidal vai exercer na administração do Podemos as funções que desempenhava no governo de Mauro Carlesse: Secretário da Casa Civil. É um técnico mais que político.
Haverá conexões desconexas entre a prisão do ex-governador e o Secretário, claro. Um ônus político que não encontra respaldo nos fatos.
Rolf sequer é citado em alguma coisa. Não há qualquer ação contra o advogado que foi Secretário da Juventude no governo Siqueira.
A forma como foi divulgado seu nome é que sugere preocupação com o fato circunstancial na omissão do autor da nomeação do cargo anterior.
Já Ronaldo Dimas no Planejamento é dado, pelo prefeito diplomado, como uma contribuição mais política do que técnica à nova administração.
Respaldam-no a eleição e reeleição em Araguaína, a passagem pelo Congresso e a disputa para governo, em que foi derrotado num escore de 58,14% X 28,50% pelo governador Wanderlei Barbosa. Ou: de cada três votos, dois cairam na conta de Wanderlei no Estado.
De fato, Dimas teve uma administração aprovada na cidade. Mudou Araguaína para muito melhor. É engenheiro e foi deputado federal. E teve trabalho conceituado na presidência da Federação das Indústrias. É tido como cordato.
A sua vitrine (Via Lago), entretanto, é também reivindicada pelo ex-deputado federal César Hallum, que seria autor dos recursos.
E que foi substituído, por Dimas, em favor de Irajá Abreu na hora da contrapartida: o pedido de votos nas eleições de 2018. Irajá foi eleito senador e Hallum ficou no beiço.
Hallum, como Dimas, eram aliados do Palácio (o candidato era Mauro Carless) e Irajá já era oposição (a senadora Kátia Abreu disputou o governo).
Ainda que Eduardo Siqueira conceda à escolha o caráter meramente técnico, ela não afasta as circunstâncias nem as inclinações políticas.
Dimas manteve sua candidatura ao governo pelo PL em 2022 somente pela manutenção de um acordo anterior com o senador Eduardo Gomes.
O Senador é que queria a disputa, mas refluiu para honrar o compromisso.
E. à época, expôs uma traição de Carlesse em 2018, quando ele próprio deixou César Hallum na chapada.
Dimas já vinha de uma mal sucedida tentativa de disputar o governo pelo PL que terminou ficando com o então senador Vicentinho Alves em 2018. Dimas queria ser chancelado pelo partido sem renunciar à Prefeitura.
Como Eduardo Siqueira disputou a prefeitura contra uma candidata do PL, Ronaldo forçosamente terá que deixar a sigla e desembarcar no Podemos de Eduardo, presidido no Estado pelo seu filho e ex-deputado Tiago Dimas.
A não ser que Eduardo deixe o grupo palaciano e siga Ronaldo Dimas para Eduardo Siqueira que, tem-se poucas dúvidas, deve exercer a potência que já exibe (mesmo com cuidado para não ferir suscetibilidades) no comando da oposição estadual.
Conclusão óbvia: o Podemos vai ficar mais próximo fisicamente do Palácio em Palmas. E pode manter ascendência em Araguaína (2° maior colégio eleitoral do Estado) dada a proximidade e origem de Wagner Rodrigues, circunstanciamente filiado ao União Brasil, de Dorinha Seabra.


