Sábado, 24 de Out de 2026

Dimas avança com oficialização de sua pré-candidatura pela direção nacional do Podemos mas mantém suas reações ancrônicas ao que não concorda!!

08/03/2022 509 visualizações

O ex-prefeito de Araguaína, Ronaldo Dimas, foi oficializado ontem pela direção nacional do partido como pré-candidato do Podemos ao governo do Estado. Ainda que a legenda tenha enfrentado problemas nos últimos dias com a paralisia de Sérgio Moro nos índices e os desgastes sexistas de Artur do Val (o tal Mamãe Falei do MBL) a movimentação partidária acrescenta ativos à pretensão de Dimas. E impulsiona a militância O Podemos tem 5.489 filiados no Estado (TRE). É o 10º partido com  mais filiados no Tocantins.

Há, entretanto, elementos nesta equação que mereceriam outros cálculos do engenheiro Ronaldo Dimas no espectro de sua estratégia política eleitoral e que poderia melhoria sua perspectiva de candidato ao governo. O pré-candidato do Podemos conduziu com competência a Federação das Indústrias do Estado, fez um mandato produtivo como deputado federal e deixou a prefeitura de Araguaína (depois de uma reeleição) com estupendos 75% de aprovação (contra apenas 14% do então governador Mauro Carlesse e 54% de Jair Bolsonaro), conseguindo eleger o seu sucessor com 50,87% dos votos válidos. Um desempenho considerável em qualquer lugar do planeta.

Tomando-se como régua a proporção do desempenho no segundo maior colégio eleitoral e na segunda maior cidade do Estado (com raio de influência em 1,7 milhão de pessoas) era de se esperar, entretanto, que esse ativo político resultasse na eleição de prefeitos e deputados e, até mesmo, no nível de aceitação de Dimas nas pesquisas eleitorais. Mas haveria ainda tempo para isto.

O partido, no entanto, elegeu apenas um prefeito em 2020 e saiu das urnas estaduais de 2018 (última eleição regional) sem eleger sequer um deputado estadual, federal ou senador. Não é retroativo animador para Dimas que anuniou ontem o partido fará, este ano, dois deputados federais e quatro estaduais. Um federal, entende-se, já estaria garantido com a reeleição do próprio filho, deputado Tiago Dimas, anunciado ontem como o próximo filiado ao Podemos, deixando o Solidariedade onde foi eleito em 2018.

 E, no governo, amargou, na coligação de que participou o Podemos (que Dimas ainda não presidia), a derrota (nas eleições gerais) de Carlos Amastha para Mauro Carlesse.  Não sem antes, 2018, deixar Dimas de lado o candidato do seu então partido ao governo Vicentinho Alves (na suplementar) e, nas eleições gerais do mesmo 2018, arestas com velhos aliados na cidade, como César Hallun, trocado pelo apoio que deu a Irajá Abreu.  

Tem o ex-prefeito a seu favor que só tenha assumido o comando regional do Podemos em 2019. Mas para político não importa justificativas pois o que conta são votos recebidos e não explicação porque não fora eleito. E nas eleições de 2020 os resultados são conhecidos. Ainda que Dimas tenha ativos consideráveis produto, intui-se, mais de suas administrações competentes do que de ações e reações políticas. E uma coisa não subsiste sem a outra.

Como se nota, não é falta de ativo político que não empurra Ronaldo Dimas para frente. Há sempre possibilidade de mudanças e avanços, como também retrocessos. Ontem, por exemplo, Ronaldo Dimas atribuiu, na forma de brincadeira, a parte da  imprensa a divulgação das movimentações (que considera ilegítimas como sugeriu) do seu adversário, governador interino Wanderlei Barbosa (que tem direito a candidatar-se à reeleição), constrangendo de público profissionais que fazem o seu papel de expandir as ações de governo (de interesse público até nos equívocos), numa tentativa grosseira de transferir o papel de oposição e fiscalização das ações públicas em palanques eleitorais à imprensa.

Ronaldo Dimas pode não ter visto nada no que apontou, ,de publico, em tom de brincadeira, à jornalista mulher, negra e sem nenhuma suspeição de que comercializasse material jornalístico (ou fosse um apêndice da administração) em benefício do governo. E um dia antes do Dia Internacional da Mulher, sem dar-lhe oportunidade de defesa já que fazia um pronunciamento.  O recado, por lógica, tinha como endereço todos os profissionais de imprensa que fazem a cobertura do Palácio Araguaia.

Talvez resida aí a gênese dos seus resultados eleitorais e do raciocínio no meio político de que sua candidatura tem validade até o senador Eduardo Gomes decidir entrar em cena. Diferente de suas reações a críticas onde, como se viu ontem, não mediria consequências. A exemplo de Jair Bolsonaro, todos deveriam entender o que fala, acreditando mais na intenção do que no gesto.

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