O senador Eduardo Gomes ecoa, evidentemente, o presidente Jair Bolsonaro. Assim como o ministro da Saúde, Luiz Mandeta. Ambos defendendo a prorrogação das eleições municipais para 2022, quando coincidirá com a sucessão estadual.
A proposta divide o Congresso. No Senado haveria parlamentares favoráveis. Mas na Câmara a imensa maioria é contra.
O pretexto é a crise do Covid-19. Apesar de Mandeta já ter estimado que até julho o vírus estivesse controlado, seguindo a curva dos outros países. As convenções são na segunda quinzena de julho e as eleições em outubro.
Eduardo Gomes (líder de Bolsonaro no Congresso) abriu o jogo ontem, como vai no UOL: "Desse jeito (mantendo o calendário eleitoral em vigor), vamos reeleger 80% de quem já está no cargo" porque, conforme o parlamentar, quem já está no poder será beneficiado ao precisar se expor menos, correndo menos riscos de saúde, por contar com a máquina pública ao seu favor".
Não explica, entretanto, que a prorrogação dará dois anos a mais de mandato aos atuais prefeitos sem a aprovação popular. Fazendo uso do raciocínio do Senador, ao invés de 80% de reeleição, teríamos 100% de prefeitos que ganhariam mandato sem passar pelas urnas.
Mais dinheiro e mais prazo para proselitismo com verba pública. Com a possibilidade de em 2022 (alguns com seis anos de mandato) se reelegerem para mais quatro. Ou seja: dez anos no cargo quando, pela lei, só teriam direito a uma reeleição. Ou: oito anos.


