Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Despesas com aposentadorias e pensões aumentaram 3% de fevereiro 2020 a fevereiro 2021, mas frustração de receitas fica no patamar dos 28%. É o Igeprev no balão de oxigênio da UTI

09/05/2021 485 visualizações

A Secretaria do Tesouro Nacional publicou há duas semanas o relatório resumido de execução orçamentária do 1º bimestre de 2021. Por ele, o Igeprev apresenta um resultado previdenciário positivo de 4% da receita corrente líquida.

É um dado que a priori indicaria saúde financeira do fundo de aposentados e pensionistas do funcionalismo estadual. Ou indício de que se desenvolve uma recuperação de ativos. Mas não é bem assim o exercício contábil.

Vejamos: no balanço de 2020 (publicado pelo Executivo já que o Igeprev ainda não disponibilizou o seu) o fundo tinha uma previsão orçamentária de receitas de R$ 1,365 bilhões no exercício. Realizou, entretanto, apenas R$ 963 milhões.

Mais: em fevereiro de 2020 o Igeprev consumiu com aposentadorias e pensões o montante de R$ 105 milhões. Já em fevereiro de 2021, o gasto foi de R$ 108 milhões. Um crescimento, em reais,da despesa com aposentadorias e pensões, de 3% contra uma frustração de receitas de 28%.

A conta provocou em 2020 um resultado previdenciário negativo de R$ 439 milhões quando a previsão orçamentária era um resultado positivo de R$ 38 milhões para os cerca de 15 mil aposentados e pensionistas.

Já contabilizado o débito negociado pelo governo de contribuições atrasadas. Dois termos: um de R$ 883.901.630,63 e outro de R$ 162.698.596,83. E de 2019 a 2020 o fundo teve que buscar nas aplicações bancárias (poupança) R$ 260 milhões para pagar benefícios. Tinha aplicações de R$ 4,019 bilhões (dez/2019) e fechou 2020 com apenas R$ 3,759 bilhões.

O problema tem dois vértices. Estudo atuarial de 2019 registra que o plano (fundo) financeiro (antes de 2012) tem uma folha salarial de 208 milhões (onde incidem as contribuições) com salário médio de R$ 7,6 mil (menor salário de R$ 954 e maior salário de R$ 33,7 mil).

Um benefício médio de R$ 5.470,92.  Já o fundo previdenciário (após 2012), a folha é de R$ 27 milhões (salário médio de R$ 5,6 mil). Maior salário de R$ 33,7 mil (menor também de R$ 954). E benefício médio de R$ 1.767,07.

No fundo financeiro estão contemplados 40.749 (sendo 27.192 ativos) e outros 7.419 no previdenciário (7.366 ativos).

No plano financeiro (antes de 2012) houve uma massa de redução de servidores ativos de 2.272 funcionários entre 2017 e 2019. Já no previdenciário (a partir de 2012) uma evolução de apenas 496 ativos. Ou seja, caiu o número de ativos (que ingressaram antes de 2012) de 29.464 (2017) para 27.192 (2019). Já após 2012, aumentou de 6.870 (2017) para 7.366 (2019).

Compartilhar

Deixe seu comentário

Mais em Ponto Cartesiano