O problema da suposta fraude nas eleições na Procuradoria Geral de Justiça e o encaminhamento, na segunda, da lista tríplice ao governador divide o Ministério Público. O mau cheiro expandiu-se, agora, para o Palácio Araguaia no que pode contaminar a escolha de Mauro Carlesse, passível de ser questionada pela própria Justiça, levando ao governo parte do ônus da Procuradoria Geral de Justiça ao tentar jogar para debaixo do tapete a grave situação.
As críticas ao processo na reunião do Colégio de Procuradores realizada na mesma segunda-feira, impõe maior gravidade à decisão da procuradora geral de Justiça de protocolar, ainda assim, a lista no Palácio, sem mandar auditar ou determinar uma sindicância para apurar as irregularidades.
Em reunião gravada do Colégio de Procuradores na segunda, o procurador de Justiça Ricardo Vicente foi cirúrgico: como vamos impugnar eleições na política partidária se a nossa está sob suspeita. Foi além o procurador: a Procuradoria Geral de Justiça está sujeita agora a qualquer juiz de primeira instância anular a eleição, submetendo o Ministério Público a uma desmoralização. "Terá repercussão nacional".
Outro procurador de Justiça, Marcos Bignoti, com razão indiscutível, apontou que a a lista encaminhada pela PGJ ao Palácio abre porta para que Mauro Carlesse a questione porque não refletiria o posicionamento da classe.
"Pela experiência que a gente tem presidindo essas eleições todas, nunca teve problema, a gente vê que a eleição iniciou errada e que ela não se realizou adequadamente". Para ele, não se pode saber quem votou. "Antes o sistema dizia qual promotor deixou de votar, sempre soubemos. Não podemos saber quem votou". Como é que se habilita uma pessoa que não faz parte. Aí surge uma dúvida enorme", disse o procurador.
O procurador Marco Antônio também se posicionou na mesma reunião do Colégio de Procuradores. "Não é nem servidora, não pertence aos quadros, apenas uma voluntária de Colinas que cessou o sistema e pra ela foi oferecida uma cédula de votação".


