Informa-se que o MPF teria aberto “instauração de notícia de fato” (procedimento preliminar à investigação), mas o vídeo do empresário de vendas de máquinas agrícolas de Gurupi (Terra Boa) que pressiona/orienta/pede a empregados a votarem em Jair Bolsonaro, que corre no youtube, não dá muita margem a dúvidas quanto à prática do crime previsto no artigo 299 do Código Eleitoral, com pena prevista de até 4 anos e pagamento de multa.
Se esse procedimento do MPF for adiante, os advogados do empresários terão dificuldade para provar que focinho de porco não é tomada, que o que é um abacaxi, não é um abacaxi, e sim uma maçã do amor. No estado democrático e de direito, todo mundo tem direito de se defender e se expressar. Dentro da lei. É este o artigo do Código Eleitoral:
Art. 299. Dar, oferecer, prometer, solicitar ou receber, para si ou para outrem, dinheiro, dádiva, ou qualquer outra vantagem, para obter ou dar voto e para conseguir ou prometer abstenção, ainda que a oferta não seja aceita:
Pena - reclusão até quatro anos e pagamento de cinco a quinze dias-multa.
Ainda que o empresário expressasse a melhor de suas intenções. E que em meio às "recomendações e lembranças", diga que não é pressão. Não muito diferente do corte na educação no governo Bolsonaro e o desbloqueio do não corte!! Tipo assim: se vocês não votarem em Bolsonaro a empresa terá que demitir. Mas não tome isto como pressão. A consequência não tem nada a ver com a causa!!!
Ademais, o empresário tenta convencer os empregados com um argumento brucutu, como de resto tentam fazer nestes dias sombrios os “capos” do agronegócio no Estado. Agro que faturou em exportações, somente de janeiro a setembro deste ano no Tocantins, o equivalente a R$ 13 bilhões, sem pagar imposto na exportação e 1% e 2% na circulação interna da produção.
Contra os 18% que os empregados do agro e a população de modo geral paga nos combustíveis, conta de luz e nos supermercados. Inclusive na compra de produtos do agro que, pelo contrário, não paga o imposto. Ele apenas recolher o imposto e o repassa ao governo.
No vídeo, o empresário conta um monte de mentiras, aponta o retorno do comunismo, sugerindo a possibilidade (no caso de derrota de Jair Bolsonaro) que seus empregados pudessem ser demitidos, ficar sem salários e sem plano de saúde. Tudo pela ameaça Lula e PT. Pior: pede que os empregados levem a mensagem a eleitores de suas famílias. Dentre suas pérolas, com Lula o país (e seus colaboradores, claro) o país corre o risco Venezuela.
O pior é que o agro tem procedido da mesma forma, com mentiras e pressões em empregados por voto em Bolsonaro, em outros Estado do país. Um crime expandido como o comprovam as várias ações do Ministério Público no Brasil nos últimos dias.
Ora, ora. Jair Bolsonaro que diz que vai controlar o STF (como o venezuelano Hugo Chavez fez), nomeando mais dos seus, como dois que já indicou (uma imoralidade pública a declaração) e, para o empresário, é Lula que irá venezuelar o Brasil!!! Tomando como boa fé, uma ignorância, como a maioria dos zumbis bolsonaristas. Na má fé, um crime.
E o que é verdade? Ora, como agora, o agro encheu as burras de dinheiro nos governos do PT. A própria empresa do brucutu bolsonarista, empresáro Marcelo Dominici, foi criada no primeiro governo Dilma (abril de 2013. Ou seja, nasceu e cresceu sob dois governos do PT, a gênese do seu êxito empresarial. Num período em que os juros na venda de máquinas agrícolas (o negócio da Terra Boa) eram de 2% contra os atuais 18% do governo de Jair Bolsonaro.
Por falar em terra, a inquietação dos barões do agronegócio com o MST tem sim implicações legais. Mas nos governos do PT a maioria das invasões beneficiavam os proprietários já que os “comunistas” do PT pagavam aos proprietários liberais um palmo de terra como se fosse um hectare.
Enquanto o agro se movimenta com falácias contra Lula e em favor de Jair Bolsonaro, a senadora Kátia Abreu (presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado) demonstrava nas redes sociais ontem sua preocupação com a decisão do parlamento europeu (em 15 de setembro último) de aprovar por 253 a 57 uma nova lei ambiental que proíbe a importação de alimentos (grãos/especialmente soja e carne) com origem em áreas de desmatamento (legal ou ilegal).
A mercado europeu é o segundo maior comprador de carne e soja brasileiras. E no Brasil, de 2019 até 2022 (governo Jair Bolsonaro), foram registrados no Brasil 13 mil quilômetros quadrados de desmatamento na Amazônia.
Tudo pela liberalidade de Jair Bolsonaro com os desmatadores e mineradores ilegais que fizeram um estrago na Amazônia brasileira nos últimos quatro anos no ritmo da confissão ministerial palaciana (tornada pública) de aproveitar a preocupação dos brasileiros com a pandemia (que já matou quase 700 mil pessoas) e passar a boiada no meio ambiente.
Só para raciocínio do buraco: o Brasil exportou para a Europa de janeiro a Setembro R$ 252 bilhões (US$ 48 bilhões) e outros R$ 199 bilhões (US$ 38,6 bilhões) para a União Européia.
No Estado, de janeiro a setembro, o agro “liberal” exportou para a Europa algo próximo de R$ 2,6 bilhões. Esse liberalismo que nega posições ideológicas contrárias que sempre foram entre o capital e o trabalho.
Um país que nunca foi governado por comunistas desde quando o Muro de Berlim ainda estava de pé. O próprio PT nunca foi comunista, nem por programa nem por história. E sim socialista. Mas eles desconhecem e não querem saber de leitura, filosofia política: querem é fazer valer suas verdades com mentiras.
Confira a cristalina ameaça do empresário de Gurupi a seus empregados.


