Pelo Relatório Resumido de Execução Orçamentária publicado ontem (ainda não é o RGF mas uma prévia dele) as despesas com salários no governo aumentaram R$ 905 milhões no ano passado, comparando as despesas brutas de 2022.
O incremento de gastos supera, proporcionalmente, o crescimento da Receita Corrente Líquida entre 2022 e 2023. Ainda que nominalmente a receita tenha aumentado R$ 989 milhões.
O governo fechou 2023 consumindo com salários R$ 7,713 bilhões contra os R$ 6,810 bilhões (2022). Um crescimento de 13,2%.
A Receita Corrente Líquida passou de R$ 12,105 bilhões (2022) para R$ 13,094 bilhões (2023). Aumento de apenas 8,17%.
Com isto, em um ano o governo aumentou o comprometimento das despesas de pessoal com salários em 14,02%.
Saiu dos 39,35% (terceiro quadrimestre de 2022) para os atuais 44,87% (terceiro quadrimestre de 2023).
Esse viés de subida do comprometimento pode instrumentalizar o governo uma defesa da forma de pagamento dos 25% ou de outros passivos, com reflexos nas decisões do poder judiciário sobre os assuntos.
Ou seja, o acréscimo não teria partido de decisão voluntária do governo atual. Mas se impunha por, em larga medida, representar passivos legalmente constituídos.
O aumento do gasto com salários segue em rota de colisão com os investimentos. Em 2023, o governo empenhou para investimentos o montante de de R$ 1,300 bilhão para os R$ 1,586 bilhão do total de investimentos empenhados em 2022.


