O Legislativo estadual necessitando reflexão antes que a população do Estado decida-se por formular uma diáspora a pouco mais de um ano das eleições quando tentarão renovar seus mandatos. Administrativamente, fecharam o mês de maio com despesas empenhadas de R$ 153 milhões mas pagou apenas R$ 117 milhões. Fornecedores cobram, ainda, dívidas de exercícios anteriores. As escolhas políticas, entretanto, não param por aí.
No Estado 104 mil das 263 mil famílias cadastradas no Bolsa Família declaram uma renda per capita mensal de R$ 89,00. Individualmente 802 mil pessoas – conforme o Ministério da Cidadania - estariam cadastradas no programa federal declarando esta fortuna de R$ 89,00 para não morrer nos 30 dias de cada mês.
Apesar disso, no primeiro quadrimestre de 2021, os deputados abocanharam dos cofres públicos (além dos salários, auxílios, assessores) o total de R$ 2,9 milhões de verba indenizatória (Codap). Aquele expediente (legal) que ressarce outras despesas do parlamentar. Mas que nas atuais circunstâncias se transforma numa imoralidade ou no mínimo falta de empatia com a situação da maioria.
O valor seria suficiente para pagar 14.500 auxílios emergenciais de R$ 200,00 (como o de Palmas) atendendo em quatro meses 3.600 pessoas a cada 30 dias. Ou ainda daria para 4.800 auxílios emergenciais de R$ 600,00 atendendo 1.200 pessoas por mês.
Foram R$ 743,9 mil com combustível. Consumiram em plena pandemia (em com um mês de recesso, janeiro) 31 mil e 207 litros de combustível em quatro meses.
Com isto, poder-se-ia percorrer 370 mil km (9 voltas em torno da terra). A média de percurso de cada parlamentar em 82 dias úteis do ano (janeiro/abril/2021) – em plena crise do Covid-19 – é de 1.005 km/dia. Com um detalhe: batem ponto na Capital, onde a maioria abastece seus veículos. Ou seja, deve ter gente carregando galões de combustível em carroceria ou bagageiro.
Os números são públicos. Estão no Portal das Transparências e no TCE. Os deputados gastaram (foram ressarcidos) de janeiro a abril o montante de R$ 969,7 mil com advogados, R$ 767,7 mil (comunicação), R$743,9 (combustível) e R$ 484,2 (locação de veículos).
Caberia, claro, por mera lógica fazendária, uma confrontação (por parte do Fisco estadual e da Receita Federal) das notas fiscais das bombas de gasolina e dos serviços advocatícios já que não se pode mais ir anotando a despesa no posto para pagar depois (Ato 43, da Câmara dos Deputados). Os valores da locação de veículo sustentariam, ademais, sem maior dificuldade, a tese de que algum parlamentar estaria com sua própria locadora, dado o valor gasto.
E, convenhamos, ser ressarcido em R$ 96 mil de despesas com advogados (R$ 24 mil por mês) como ocorreu com a deputada Amália Santana, o causídico tem um salário mensal igual ao do parlamentar quando o gabinete já tem assessores jurídicos.
Nos gastos, descobre-se as prioridades. O maior gasto com advogado foi de Amália Santana (R$ 96 mil), Amélio Cayres (R$ 93 mil), Fabion Gomes (R$ 80 mil) e Olintho Neto (R$ 73 mil).
Já no setor de combustível, a mais gastadeira foi Valderez Castelo Brando (R$ 43,164 mil), depois Ivory Lira (R$ 42,471 mil), Vilmar do Detran (R$ 42,069 mil) e Elenil da Penha (42,038 mi).
Ricardo Ayres bombou na comunicação: gastou (e foi ressarcido) R$ 104 mil. Em seguida veio Antônio Andrade (R$ 69,6 mil), Nilton Franco (R$ 65,166 mil) e Leo Barbosa (R$ 52,5 mil).
Quem mais gastou com locação de veículos foi Cláudia Lélis, que foi indenizada em R$ 56,8 mil e Cleiton Cardoso, com reembolso de R$ 54 mil. Ivory reembolsou R$ 53 mil e Vanda Monteiro R$ 52 mil.


