Sábado, 24 de Out de 2026

Deputados reforçam clube de futebol de botão para rifar nome de Katia na majoritária de Wanderlei. Não carecem só de votos ou princípios, mas de raciocínio político!!

19/03/2022 832 visualizações

Merece reflexão o movimento detectado, com fundadas evidências, pela jornalista Roberta Tum (no seu Blog da Tum) esta semana no Legislativo estadual na direção de determinar a Wanderlei Barbosa a chapa majoritária. Motivo: inviabilizar o apoio de Wanderlei à reeleição da senadora Kátia Abreu.

Retirando do plano da relação causa e efeito, o consequente papel de Kátia na possivel reeleição de Wanderlei que patina sem partido ou grupo político. Entende-se ainda tentando compreender e separar os fisiológicos dos programáticos, os negociantes nos cargos eletivos e os interessados em defender a coisa pública.

Para início de conversa eleição proporcional difere de eleição majoritária. E, não menos relevante, a legislação não permite coligações nas eleições proporcionais (deputados). Os deputados estariam, assim, propondo apoios, pelo aceite à determinação, mas não palanque, fundo eleitoral ou tempo de propaganda.

Só gogó porque nos  municípios (prefeitos e eleitores) votam em que lhe concede benefícios. E até aqueles que os deputados dizem levar, dependem do orçamento e da vontade política do governador. Ou seja, poderia o mais, mas não poderia Wanderlei o menos. Uma impossibilidade lógica.

Naquela de um entra com o pé e o outro com a bunda. Devem confiar que suas atuações no legislativo onde fazem o que o Executivo manda são bem avaliadas pelo eleitor. Ou seja, estariam com a  matula cheia de méritos.

Na falta, pois, de um nome forte (os outros tem Lula, Bolsonaro, Eduardo Gomes, Dorinha Seabra e que tais), Wanderlei deveria seguir os deputados e tê-los como seu time de futebol de botão ou Clube da Luluzinha. Por que não fazer uso do fundo de emendas como adicional ao fundo eleitoral? Tudo junto e misturado.

E aí, por atendimento de suas idiossincrasisas e afetos pessoais, deixaria Wanderlei de ter dois senadores (Kátia Abreu e Irajá Abreu), uma ex-ministra da Agricultura do governo do PT (que pode ter Lula na presidência), ex-candidata a vice-presidente da República pelo PDT e que comandou por anos 30% do PIB nacional, na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil. E que hoje ainda tem ascendência nos mais de 80 mil produtores rurais contribuintes individuais de ICMS do Estado.

Kátia tem, por certo, como a maioria, defeitos que, não existiria dúvidas, submergiriam com o peso de seus acertos. Os adversários que enfrentou nas urnas ou aqueles que tiveram suas eleições viabilizadas pela parlamentar bem o sabem.

E não tem ficha policial corrida como pelo menos dois terços dos deputados. Sem prejuízo da avaliação de que no círculo periférico do governador haveria outros nomes potenciais que dispensariam apresentações de parlamentares com carta de apresentação.

A prevalecer a tese, seria, por outro lado, a comprovação fática de que o Executivo teria alimentado, com recursos públicos, servidores eleitos parlamentares não para seguir as regras democráticas mas para desfazê-las.

Nem que para isto, com os conhecimentos científicos e filosóficos que agregaram nas suas biografias, elaborem uma hegemonia política ilegítima no território em que se dá, estabelecendo no Estado um (com licença do pleonasmo vicioso) parlamentarismo partidário legislativo institucional eleitoral. No popular: uma ditadura política do Legislativo.

E aí, não custa lembrar, estaria o “grupo partidário legislativo do governador” ressuscitando o método de Mauro Carlesse que defenestraram na semana passada.

E que, na presidência do Legislativo, se conduzia, não sem o aval majoritário destes mesmos deputados, como uma versão do cerrado de Primeiro Ministro, legando ao governador de então, Marcelo Miranda, o papel de Chefe de Estado que, no parlamentarismo, tem o poder de uma Rainha da Inglaterra.

No governo, Carlesse limitou-se a cumprir o mensalinho de parlamentares porque, intui-se, já os considerasse contemplados com prebendas, cargos e outras “bicadinhas” no orçamento. Caiu em desgraça no apoio legislativo diante da perspectiva da falta de poder que, no limite, inviabilizaria os extras mensais.

O problema com Wanderlei é que o governador não responde a processos por desvios de recursos, ao contrário da maioria dos parlamentares, alguns consumindo mais da metade da Codap (recursos públicos) com pagamento de advogados como consta no portal das transparências.

O Governador, ademais, tem a caneta na mão por onde passaram de outubro/21 a março/22 o equivalente a R$ 5,4 bilhões. E deve chegar até dezembro (somando todo o período de administração do governador) a R$ 14,1 bilhões.

Isto equivale a 32% do PIB anual do Estado, estimado em R$ 44 bilhões para 2022. Destes recursos é que saem as obrinhas que os deputados  tem como seus ativos políticos.

O que levaria a conclusão de que se haveria um fator determinante na escolha da chapa e nas eleições, ele estaria no Palácio Araguaia que, pela estrutura, tem condições de influenciar não só na definição dos nomes, mas na eleição de parlamentares.  E não o contrário.

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