A pré-campanha, a dois dias do início do prazo eleitoral para convenções e coligações (de 20 de julho a 5 de agosto), imita, no Estado, as cotações da bolsa de valores, oscilando de acordo com preços, oferta, demanda e mercado.
Se antes o expediente se dava de modo mais planejado, com preocupações em aparências e demonstração de certo grau de correspondência entre sujeito e objeto, a cambiagem se processa, agora, desconectada de regras.
E, conforme o calendário eleitoral, tendente a aproximar-se de uma xepa para aqueles que superestimaram seu produto e, agora, arriscam-se a oferecer descontos sob risco de encalhe.
É um comércio que tem funcionado mais no grito. Observem a superfície da disputa (ou oferta) de apoio de deputados a candidatos ao Senado, que nada mais seria que a representação do pano de fundo da legislatura atual.
A deputada Dorinha Seabra (conforme pessoas que lhe são próximas) teria se preocupado (na semana passada) com a informação antecipada neste blog (e irritada com a movimentação) de que 10 deputados estaduais estariam conversando para apoio a Mauro Carlesse.
Um movimento desavergonhado dado que a unanimidade dos deputados fora favorável ao impeachment do ex-governador. Pelos deputados, submetidos ao que a eles se atribuía, as acusações que receberiam contra Carlesse tornariam-no impróprio para governar o Estado, mas não para representá-lo na Câmara Alta da República.
Dorinha teria então, de acordo com informações do seu grupo, já se acertado com 19 deputados estaduais. A conta, assim, se não fechava nos votos, abria, também, na contabilidade, a natureza do comércio do Legislativo que teria vendido mais mercadoria do que possuía.
Se adicionasse os outros quatro deputados que diziam apoiar a candidatura de reeleição da senadora Kátia Abreu, haveria parlamentares dando no-show em candidaturas diversas. Deixando assentos prometidos vagos.
E ainda se teria numa paralela o ex-técnico da Seleção Brasileira, Flamengo, Real Madrid e que tais, Wanderlei Luxemburgo (e seus petrodólares), que deve ser anunciado oficialmente esta semana como candidato do PSB ao Senado com Osires Damaso. Movimento que pode desviar o vende/compra dos operadores.
Por outro lado, se todos comparecessem (ainda não considerado o fator-Luxemburgo), ter-se-ia no Legislativo estadual não mais 24 deputados, mas 33 parlamentares (10 de Carlesse, 19 de Dorinha e 4 de Kátia Abreu). Ou então 37,5% dos deputados votariam duas vezes!!!
Só isto? Não!!! A semana tem início com a informação averiguada nos bastidores de outro elemento na equação: um grupo de deputados (seriam onze) estaria conversando com o ex-senador Ataídes de Oliveira (candidato à reeleição e que tem sido objeto de brincadeiras como ser chamado de senador-pix) quando Wanderlei deve anunciar amanhã a deputada Dorinha Seabra como sua candidata ao Senado. Ou seja, os deputados seriam aumentados, (em conversações reveladas) dos abstratos 33 para surreais 44 parlamentares apoiando ou desapoiando candidatos ao Senado.
Agora vamos ao que, a priori, valem os parlamentares. Os 24 deputados eleitos saíram das urnas em 2018 (última eleição estadual) com 391 mil votos. Ou seja, estes deputados aí que andam negociando apoios (com o eufemismo de conversação democrática) teriam, em tese, esse balaio aí com alguma variação.
Se consideramo a votação dos dois senadores eleitos no Estado na mesma eleição, eles (dois) valeriam (em votos) muito mais que os 24 deputados estaduais. Os dois senadores eleito (Eduardo Gomes e Irajá) obtiveram, juntos, 462 mil votos na últimam eleição. Já os nove candidatos ao Senado em 2018 sairam das urnas (numa disputa de duas vagas) com 1 milhão e 274 mil votos. Só senador Eduardo Gomes (maior votação) obteve 248 mil e 358 votos e Irajá Abreu (o segundo eleito), saiu das urnas com 214 mil e 355 votos.


