Guardassem alguma coerência, os deputados governistas que foram na terça para cima da prefeita Cínthia Ribeiro, cobrando-lhes responsabilidade pelos óbitos provenientes da Regulação, deveriam vir a público, agora, para:1) pedir desculpas à prefeita ou 2) descer o sarrafo no governador Wanderlei Barbosa.
Manifestações governistas no Legislativo desconectadas com a razão e, até mesmo, com a diretiva do Governo. Ou seja, sem a organização do Executivo que tem um líder na Assembléia, escandalosamente ausente na crise.
E que se note: Cinthia Ribeiro não é candidata no próximo ano que não apoiar, com o reconhecido trabalho que tem na cidade, um candidato que poderia vir a ser até mesmo numa aliança com o Palácio Araguaia.
Leiam trecho de declarações do Governador (expandidas pela Secretaria de Comunicação): "Precisamos tornar esses problemas mais claros e temos que trabalhar junto com a Prefeitura para que todas as demandas sejam sanadas, porque a saúde é um dever constitucional".
Perfeito!!! Saúde, sim, é um dever constitucional. E o Sistema Único de Saúde (até por força de lei) é tripartite: União, Estado e município. Wanderlei não ficou por aí: entende que há situações mal explicadas em relação a regulação de pacientes. Mais claro, impossível.
A comissão criada pelo Executivo, com efeito, para estudar a questão é o reconhecimento que existiria, sim, entraves na Regulação, para contrariedade dos apressados vassalos deputados.
E como ela é concluída na Secretaria Estadual de Saúde, ela atrairia responsabilidades que os óbitos pela demora na Regulação retirariam daquele que pediu a urgência da Regulação: a Prefeitura.
Mais não bastasse, Wanderlei recolocou na agenda política e administrativa a construção, pelo governo, do Hospital Municipal de Palmas. E que também os mesmos deputados apontavam o dedo apenas para o Paço Municipal.
Era caso para emergir a vergonha alheia de parlamentares que se movimentam como lacaios no atendimento de vontades governamentais. Até daquelas que imaginam ter o governador.
E que, no caso da Regulação, erraram escandalosamente o alvo e a vontade do "chefe".


