Tem-se conhecimento nas páginas de Veja neste final de semana que os três ministros (Exército, Marinha e Aeronáutica) pediram demissão dos cargos a Jair Bolsonaro em março deste ano porque o presidente teria determinado que comandassem caças Gripen (com deslocamento acima da velocidade do som) sobre o Supremo Tribunal Federal para quebrar as vidraças do prédio.
O país passa pela pior crise institucional de sua história no enfrentamento de um Presidente (eleito pelo voto popular) que manipula parcela da população e seu governo para instituir a volta da ditadura no Brasil, deputados federais e senadores do Estado guardam obsequioso silêncio.
Obviamente, com a omissão, sujeitam-se ao escrutínio de que estivessem a defender, como Jair Bolsonaro, a intervenção militar no Congresso Nacional e no Supremo Tribunal Federal. De outro modo: nossos próprios filhotes da ditadura a envergonhar os jovens estudantes da Casa do Estudante do Norte Goiano (e a história do Estado), presos pelos militares na década de 70 em Porto Nacional por serem contra a "Revolução" de 64.
Revolução que iimpõs, dentre outras coisas, a censura na música e no teatro, impedia reunião para discussão de política e acabou com voto para governadores, senadores e prefeitos de capitais. Fechou o STF e o Congresso e decretou o AI-5 que acabou, dentre outras coisas, com o habeas corpus e autorizou a prisão sem processo judicial.
A semana se inicia neste domingo com manifestações em favor da democracia (e contra a ditadura perseguida por Jair Bolsonaro) promovidas pelo Supremo Tribunal Federal, Superior Tribunal de Justiça, Associação dos Magistrados Brasileiros, Associação dos Juízes Federais, Associação Nacional dos Procuradores da República, Ordem dos Advogados do Brasil e de dez ex-ministros da Justiça, que somam-se a diversas federações e associações empresariais contra o arremedo de tiranete. A situação é grave.
Amanhã está programada uma reunião com os governadores dos Estados sobre a crise institucional. Até este domingo, 24 governadores já tinham confirmado presença no Fórum Nacional desta segunda. Como também até este domingo, o governador Mauro Carlesse era um dos três no Brasil que ainda não haviam confirmado participação. Uma minoria mais que avassaladora, reveladora.
A indefinição do representante dos moradores do Estado leva a pelo menos dois raciocínios: Mauro Carlesse não enxergaria nos atos de Bolsonaro um projeto de ditadura ou concordaria com ele. Do primeiro, emergiria cegueira política histórica e falta de discernimento sobre o processo democrático.
Prevalecendo o segundo, o governador teria dentro de si uma alma arbitrária e que não percebesse que, instituída a ditadura, seu próprio projeto político estaria ameaçado, por calcado no voto popular.
Pode ser isto ou aquilo ou nada disso. Apenas estratégia para não perder (ou ganhar) mais recursos para sua administração. Mas aí incorreria em outro risco: de avaliar que a população livre do Estado preferisse verbas federais a viver numa democracia plena. Sem prejuízo da avaliação de que nas eleições de 2018 a maioria dos eleitores do Estado disse não ao projeto bolsonariano. Não o escolheram.
Ou seja, Carlesse se equivaleria, na reação (omissão também é um conceito ativo de ação) a deputados federais e senadores na negação da escolha popular. E se a refutam, o fazem, deduz-se por outros interesses que não dos seus eleitores. Uma escolha ativa e propositiva desgarrada dos propósitos elencados na campanha eleitoral.
No Tocantins a ensurdecedora omissão é demonstrativo da negação da democracia e afirmação dos propósitos presidenciais que, paradoxalmente, concorre para empastelar (ou até mesmo extinguir) o Legislativo (com implicações no emprego e negócio dos parlamentares) e o Judiciário, dada a explícita motivação para eliminar os freios e contra-pesos do sistema republicano, abrindo uma avenida para a tirania do Executivo.
Para além da derrocada da democracia (conquistada com muita luta e vidas), a crise provocada por Jair Bolsonaro (conforme a Folha de São Paulo deste domingo) elevou (dados da FGV) em um ano o número de pessoas na extrema pobreza (R$ 261 mensais) de 10,5 milhões para 27,4 milhões de miseráveis. O dólar subiu no Brasil 24% no período (a maior alta dentre todos os países do planeta), enquanto as commodities (exportações) cresceram 195%, a inflação dos alimentos subiu 9,2% (era 1,96% em jun/2020). E a taxa de juros que era de 6,92% (jun/2020) é hoje de 10,59%


