Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Deputados e senadores querem aumentar para R$ 6 bi os gastos do contribuinte com suas campanhas em 2024. Três vezes mais do que na última eleição municipal enquanto preservam seus patrimônios e ganham um empregão lucrativo

03/11/2023 689 visualizações

A próxima semana promete um show de iniquidades no Congresso. Os parlamentares do Estado podem aproveitar-se da inexpressão numérica para se colocarem à margem no debate, ainda que na votação tenha-se poucas dúvidas de suas escolhas.

Diferente do Executivo do Estado que deu aval ao reajuste de emendas parlamentares, o governo federal se ocupa em cortar gastos atrás do déficit zero. E lá como aqui os parlamentares com outras preocupações.

E qual o busílis? A União programou na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2024 (encaminhada ao Congresso) apenas R$ 900 milhões para os partidos gastarem nas eleições no próximo ano. É grana que sai do tesouro nacional para as candidaturas.

Deputados e senadores, entretanto, querem corrigir para 2024 o valor do ano passado, R$ 4,9 bilhões, autorizando R$ 6 bilhões de fundo eleitoral para o próximo ano. O triplo dos R$ 2 bilhões da última eleição municipal (2020).

Para se ter uma idéia, R$ 6 bilhões é metade do orçamento anual do Tocantins para ser gasto com suas campanhas eleitorais pessoais. Dinheiro público.

Na eleição de 2022, o senador Irajá Abreu teve R$ 5,9 milhões desse fundo (87%) na sua campanha. Wanderlei Barbosa recebeu R$ 6,3 milhões (97,59% de todos os seus gastos), Ronaldo Dimas (R$1,5 milhão/49,44%) e Paulo Mourão (R$1,5 milhão/70,79%).

Já para o Senado, a senadora Dorinha Seabra teve do fundão eleitoral R$ 3 milhões (100% da campanha bancada pelo fundão), Amastha (R$ 1,5 milhão/59,99%), Kátia Abreu (R$ 3,2 milhões/89,88%) e Ataíde Oliveira se destacou com o financiamento próprio (98,36%) da campanha saindo do seu bolso.

O eleitor gastou do seu bolso para que os parlamentares conservassem seu patrimônio e ainda ganhassem um empregão de retorno duvidoso.

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