Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Deputados e militantes que arguiam sofismas contra a concessão dos parques se calaram com fundamentos da Justiça Federal que denegou liminar ao MPF

31/08/2021 950 visualizações

.A decisão da Justiça Federal de denegar liminar ao Ministério Público Federal para suspensão do processo de concessão dos parques estaduais opera desdobramentos políticos.

A oposição a Mauro Carlesse (e ao projeto) uniu-se nos últimos dias aos quilombolas e donos de agências de turismo amplificando que o governo estaria vendendo o Jalapão e, na prática, expulsando quilombolas e os tradicionais moradores do  lugar.

Muitos sequer leram o projeto de lei e engrossaram as redes sociais propagando com seus argumentos sofísticos que induziam ao erro. Devem, agora, com efeito, ter dificuldades para continuar a contrariedade sem explicar aos eleitores a decisão da Justiça Federal e suas implicações.

O mérito da ação ainda não foi julgado. Mas a justificativa para a negação da medida cautelar é insofismável.

Avaliou o magistrado:

  1. os quilombolas já eram consultados sobre o projeto desde 2019, conforme atas de reuniões apresentadas pelo governo. Ou seja, não foi de uma hora para outra.
  2. Os deputados aprovaram uma autorização legislativa para o processo andar. Não é a licitação ou concessão propriamente dita.
  3. As audiências públicas vem na formatação do processo de concessão e da licitação qeu só poderiam fazer com a autorização legislativa.
  4. A empresa contratada pelo BNDES para estudos iniciais (tida por aqui como prova de que tudo já estaria pronto) assinou com o banco (e não com o governo) no início de 2020 (como divulgado em todos os veículos de comunicação à época) apenas para ver a viabilidade econômica.
  5. A autorização legislativa (lei aprovada pelos deputados) exclui textualmente a área de quilombolas, indígenas e populações tradicionais.
  6. Essa imposição legal exclui a competência do Ministério Público Federal para a ação civil pública.

Muitos entram no blog concluindo nos últimos dias que ele seria a favor do governo da privatização do Jalapão. Nem privatização é e sim concessão. Seria, aliás, muito mais cômodo (não tendo nenhum interesse no Jalapão ou em negócios a ele subjacentes) ir contra a concessão.

Teria, pelo menos, a garantia de leitores e de julgamento de não ser contra quilombolas, indígenas nem a favor da entrega do “nosso” patrimônio. Ou seja, seria um da “turma”. Traduzindo: estaria confundindo militância política com avaliações políticas.

E aí sim estaria desinformando os leitores ou levando-os a concluir de forma errada. Com os apontamentos podem continuar contra a concessão. Mas não pelos motivos expostos por parte dos diretamente interessados.

 

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