Que os deputados iriam aprovar a MP 06 que altera a estrutura do Igeprev, ninguém duvidava em função da maioria governista no Legislativo.
Agora, aprovar uma mexida dessa no escurinho, sem a participação dos principais interessados, é algo que depõe contra o governo e a Assembléia.
A MP (que vai virar lei) coloca o Igeprev nas mãos do governo. Servidores, os donos do fundo, passaram a ser sócios minoritários nas comissões que determinam o destino de R$ 4 bilhões de aplicações e 15 mil aposentados.
Para se ter uma idéia de possibilidades: o governo pode mandar toda essa montanha de dinheiro para o Banco Regional de Brasília, cujo maior lucro vem justamente de operações com fundos de previdência.
Retirar da Caixa e do Banco do Brasil (onde não conseguiu empréstimos de R$ 783 milhões) e mandar, por exemplo, para o BRB que não está submetido às mesmas impossibilidades legais de aval da União.
Um dos relatores, o deputado Junior Geo (da Comissão do Consumidor), chegou a declarar (conforme a CBN) que a redução do número de conselheiros dos servidores era necessária porque eles já não compareceriam às sessões. Não bastasse a inverdade, uma falácia ilógica. Ao invés de trocar conselheiros ausentes, extingue-se a vaga!!!
Em governos anteriores, o Palácio, na prática, mandava no Igeprev. Ele tem a competência de nomear o presidente, mas os sindicatos é que escolhiam seus conselheiros. Havia, portanto, a possibilidade dos conselheiros representantes dos servidores inviabilizassem o que considerassem prejudicial ao fundo.
Agora a maioria absoluta é do governo. Pode fazer no fundo de aposentados e pensionista o que lhe dez na telha. E com o aval dos deputados que, a partir da votação escondidinha, denunciaram a escuridão de suas escolhas.


