Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Depois de não ser multado pela polícia por pilotar moto sem capacete em Rondônia, chefe da nação elogia policiais por matarem 27 civis no Rio. Pela omissão, país merece!!!

10/05/2021 481 visualizações

A desconexão, cada dia mais acintosa e sem desfaçatez, das condutas do Presidente da República do Brasil com a racionalidade é tão explícita e implicante que conduz, de forma tão mediata quanto imediata, a duas possíveis conclusões óbvias. Ambas deploráveis.

1) o chefe da nação não tem um pensamento consciente (e aí se enquadraria num insano ou demente) ou 2) exerceria na prática um pensamento consciente de desordem.

Nada mais equivalente com a negação da ciência e um anacrônico revisionismo do iluminismo que passou uma borracha na idade das trevas, a denominada idade média, de práticas mais irracionais e bárbaras da civilização.

No sábado em Palmas, esse viés obscurantista levava a baladas  centenas de jovens e adultos incultos quanto ignorantes nos arredores da cidade enquanto no Estado aproxima-se de 3 mil os mortos do Covid-19 e os hospitais com capacidade esgotada.

De modo programado o algoritmo do Presidente que os impulsiona e os  motiva, assim, fossem atitudes planejadas, estaria mais próximo de condutas ilícitas que de defesa do estado democrático e de direito. Crimes comuns e de responsabilidade.

Na semana passada o chefe da nação chamou de canalhas (dentro do Palácio do Planalto) em solenidade oficial da República, as pessoas que defendem isolamento social na pandemia que já tinha matado até ontem 422.418 pessoas no país. E sem vacinas suficientes.

Ontem sem lamentar as 27 mortes de civis (e de um policial) da chacina de Jacarezinho, elogiou os policiais civis que, como demonstrou o Fantástico ontem, passou a eliminar pessoas sem distinção (e resistência) após um policial ter sido atingido e morto. Já há inquérito sobre as mortes no Supremo Tribunal Federal.

No sábado, o chefe da nação passeou de moto por uma rodovia em Rondônia, junto com um ministro e um dos empresários financiadores de campanha, todos sem capacete. E, claro, não foram parados nem multados por qualquer policial presente.

É aí outro problema: os policiais que matam em nome da lei, que prendem motoristas ou motoqueiros que circulam fora da lei, infrações gravíssimas, fazem vistas grossas às condutas delituosas do chefe da nação.

Como se não fossem servidores públicos de Estado. E sim militantes de uma facção ideológica chefiada com recursos públicos por aquele que consideram seu líder.

O Brasil andando para trás, de volta à barbárie, impulsionado por um terço dos eleitores enquanto os outros dois terços assistem a tudo sem qualquer resistência.

Talvez o merecêssemos pela inércia e omissão. Agora, convenhamos, um presidente da República sair por aí chamando as pessoas de canalha, ladrão e outras coisa piores, de público ou no palácio presidencial, não é o que se tinha no país (e no mundo) na história da civilização como liguagem de um chefe da nação.

E pior: ser aplaudido por setores da população. Daqui à frente as gerações futuras terão vergonha destes tempos.

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