Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Demora na elucidação de assassinato de prefeito Moisés da Sercon favorece dedução de interferências políticas na investigação: uma morte dupla!!

luizarmandocosta 30/07/2019 699 visualizações

A falta de elucidação do assassinato do prefeito de Miracema, Moisés da Sercon, um ano após o crime (onze meses nesta terça), depõe contra a polícia estadual. As evidências de eventual conexão política no homicídio combinadas com a lentidão da investigação (e de resultados), favorece deduções de que prender o criminoso (ou criminosos) não estaria no elenco de prioridades da Secretaria de Segurança Pública, ainda que se amplifique uma força tarefa. De outro modo: o prefeito teria duas mortes.

Por mera relação de causa e consequência, se isto se dá, beneficia, pela lógica, o assassino (e os mandantes), com a possibilidade estendida de se eliminar provas, agravado pela perda da memória circunstancial da população da cidade e do Estado sobre o bárbaro assassinato. Enquanto setores da polícia se dedicam a lutas políticas contra o governo, travestidas de busca de melhoria da segurança pública.

Situação que a família parece ter entendido, decidindo contratar detetives particulares e lançar uma campanha nacional contra a deduzível indecência que beneficiaria a impunidade a partir  da situação instalada que os órgãos públicos refutam (e justificam) com uma presumível necessidade de sigilo. Um sigilo que não apareceu no início das investigações quando se disseminou a tese de suicídio que o laudo técnico descartou.

Um assassinato que tinha tudo para ser solucionado em poucas horas: 1)pelo pouco tempo entre o crime e o último encontro do prefeito; 2) pela arma raspada deixada no local do crime; 3) pelo veículo não roubado; 4) pelas ligações do celular do prefeito; 5) pela distância entre o último encontro e o corpo; 6) pelos 85% de votos que amealhou na eleição;7) pela administração que realizava; 8) pelas relações e histórico familiares; 9) pela distância entre o local do crime e a cidade que administrava.

Não sem razão, a família avalia como crime político. E aí não estaria mais em jogo um homicídio simples. Mas um crime contra as instituições políticas e a democracia. Algo que, de pronto, já exigiria da Associação Tocantinense dos Municípios, prefeitos e parlamentares, tão ativos na defesa de ações de governo, a exercer o mesmo ativismo na cobrança de sua elucidação  e do qual se omitem escandalosamente.

Num Estado em que até mesmo governadores já foram acusados de contratar pistoleiros para matar desembargadores e outros adversários. Casos que dormitaram (e ainda dormitam) nos escaninhos da polícia e da Justiça.

Já escrevia Karl Marx: A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa.

 

 

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