A pressa que o governador Wanderlei Barbosa demonstra para definir (ou informar) o líder do governo no Legislativo é demonstração inequívoca da irrelevância do cargo para o Palácio.
Decorridos 34 dias do início da nova legislatura e com uma penca de MPs, novas secretarias, projetos de lei e vetos do Executivo a serem apreciados, o governo ainda não tem um líder para orientar os votos ou sensibilizar parlamentares.
O Governador pode, politicamente, já tê-lo escolhido para substituição do ex-lider, deputado Ivory Lira, impossibilitado de permanecer por que, agora, é vice-presidente da Assembléia. Mas não enxergaria problemas não sua não oficialização.
No Estado, com apenas 24 deputados estaduais e R$ 130 milhões de emendas parlamentares, com efeito, a cooptação de parlamentares se dá por gravidade. Se o projeto é do governo, está aprovado por antecipação. Líder para quê? Só gasto público, ainda que um dispositivo constitucional.
E o líder, não raro, enfrenta problemas no exercício de suas funções. No governo Marcelo Miranda, o líder, deputado Paulo Mourão, acertava com o Executivo termos de negociações com parlamentares, mas na hora de executar, o Palácio voltava atrás, atendendo os “recursos auriculares”. Desconstruindo até mesmo estratégias discutidas com as Secretarias. Mourão não suportou e entregou o cargo.
Aliás, muitos líderes de governo foram colocados no cargo justamente para não liderar nada. Só preencimento de funções. Não tinham respeito técnico e argumentativo nem mesmo dos seus colegas de partido que dirá dos demais.
De outro modo: a subserviência dos deputados contribui para a perda de importância de um dos poderes mais relevantes no estado democrático e de direito: o Legislativo.
De tal sorte que o Executivo não precisa convencer os representantes da população de mais nada. Saiu do Palácio, seria o melhor para o povão. Sem qualquer debate o que relativizaria a própria finalidade da Casa de Leis.


