A demissão surpreendente do Superintendente de Esportes, Sérgio Soró, menos de uma semana após sua nomeação, é ruim para Mauro Carlesse de qualquer ângulo que se avalie. Ainda que se tenha a competência constitucional discricionária do Chefe do Executivo estadual para demitir e contratar.
- Se Mauro Carlesse demitiu Soró porque tivesse, administrativa e juridicamente, ficado sabedor de problemas com o ex-superintendente depois do ato de contratação, o governo teria sido claudicante na nomeação.
- Se, por outro lado, Carlesse demitira Soró por questões político-eleitorais (há ilações neste sentido) estaria passando recibo de que pesaria na sua avaliação como governador do Estado mais a campanha eleitoral em Gurupi que o desempenho do poder público.
- Como não se tem conhecimento de peripécias de Soró em desvios de recursos públicos e é um desportista, tendo trabalhado em campanhas do próprio Carlesse, sobraria a segunda premissa. E aí Mauro Carlesse estaria se arriscando a colher resultado inverso: a repulsa do eleitorado gurupiense, de modo especial e, no geral, submetido ao escrutínio de desvio de finalidade da função pública.
Mauro Carlesse tem assessores experientes do ponto de vista administrativo e faz uma administração melhor do que dos outros ex-governadores. O mesmo não se pode dizer daqueles que o impulsionam nas decisões políticas. Como é exemplar essa demissão do Superintendente de Esportes uma semana após a nomeação.
A não ser que fosse essa mesma a intenção: expor Soró (e seus supostos aliados) a uma situação que ele, certamente, e nem ninguém mereceria passar. É o típico caso em que uma buscada vitória transforma-se numa retumbante derrota.
Não é bom para o governo nem para o Governador preterir o cérebro ao fígado. Especialmente em ano eleitoral.


