No mesmo dia (ontem) em que se anunciava as candidaturas lavajatistas de Deltan Dallagnol, Sérgio Moro e Rodrigo Janot (o procurador da República que confessou ter estado perto de assassinar o ministro Gilmar Mendes, do STF) e em que Mendes condenava o estado policial no twitter (leia post anterior) o portal https://g1.globo.com/ (com informações de jornalistas do grupo no Estado) publicava vazamentos da Polícia Federal dando conta, nestes termos, de que “a Polícia Federal encontrou uma sargento da Policia Militar atuando como babá para a filha caçula do governador Mauro Carlesse (PSL) ao realizar buscas no apartamento dele no último dia 20 de outubro”.
Para livrar-se da acusação de não ser isento e não ter ouvido o outro lado, o tal outroladismo (me cobram isto também aqui, apesar do blog ser de opinião), a reportagem (como o fez em outros vazamentos ilegais e seletivos) informa que o Comando da Polícia Militar negara o fato. De outro modo, a PF teria cometido uma fake news que mereceria, no mínimo, pela regra, seu apontamento. Mas isto não fora levantado, ainda que a régua do vazamento seletivo exigisse tratamento igual de percepção e avaliação sobre o próprio vazamento. Se a PF acusa improbidade em ato legal há evidentemente algo a ser mostrado e demonstrado.
Na verdade, como prevê a lei (tanto a Constituição Estadual quanto a Federal) - e de conhecimento público que a PF é obrigada a saber e sabe - governadores e presidentes da República tem direito à segurança do governo, estendida a familiares. Não só no Tocantins. Não só no Brasil. Mas nas redes sociais e nos botecos o outroladismo não negou (como não nega na teoria da comunicação), de fato, a inverdade: o contribuinte estaria bancando até babá para Mauro Carlesse.
Na sequência, neste sábado, o portal The Intercept Brasil traz reportagem de João Filho sobre a candidatura de Deltan Dallagnol, reavivando declarações do Procurador há três anos. Deltan ainda é, apesar dos 52 processos que responde no CNMP e das decisões do STF de declarar parcialidade em várias ações da PF/MPF/JF na Lava-Jato, um dos ídolos dos lavajatista em todas as Unidades da Federal. Tocantins não é exceção.
Escrevia Deltan em 2018: “Tenho apenas 37 anos. A terceira tentação de Jesus no deserto foi um atalho para o reinado. Apesar de em 2022 ter renovação de só 1 vaga e de ser Alvaro Dias, se for para ser, será. Posso traçar plano focado em fazer mudanças e que pode acabar tendo como efeito manter essa porta aberta”. Em outras divagações sobre sua candidatura, concluiu: “(eu) seria facilmente eleito”.
Ainda conforme o The Intercept, nas conversas, Dallagnol afirma por mais de uma vez que teria apoio dos integrantes da Lava Jato caso decidisse concorrer, o que indica que houve debates internos no Ministério Público sobre o tema. Segundo levantamento do Congresso em Foco em 2020, o partido da Lava Jato é o mais fiel ao bolsonarismo dentro da Câmara.
Nada que não provoque desdobramentos no Tocantins. Há muito (como opino aqui e é público no país) setores da Polícia Federal, Ministério Público Federal e Justiça Federal tem feito uso de suas atribuições para negar a classe política que, inexistente, leva o país a uma ditadura.
Exemplos do projeto político lavajatista são indiscutíveis como se vê agora a a candidatura de Deltan, Moro e Janot, seus principais formuladores. Um projeto que favoreceu a eleição de Jair Bolsonaro e continua favorecendo dado que os partidos escolhidos pela turma são da base aliada do presidente.
Em cada Estado, a turma tem que apresentar seus resultados regionais. E neste aspecto teríamos os processos mal elaborados contra Marcelo Miranda, Siqueira, Sandoval e, agora, Mauro Carlesse, de que é exemplo claríssimo a questão da babá que se soma às demais acusações no processo que ainda está em fase de inquérito, mas que diariamente são vazados, contrariando a decisão do STJ de não levantar o sigilo, conforme teria pedido a PF e o MPF. Só aí já se teria campo e território do vazamento.
De forma que a maneira como determinados servidores públicos conduzem suas obrigações, sugere que não estejam em busca de condenações (ou comprovações de desvios que causam prejuízos ao Estado), dado que tem conhecimento das normas processuais, regras elaboradas para coibir tiranias, o tal estado democrático e de direito. E que sua contrariedade (não cumprimento da forma) leva à não condenação, beneficiando, por isto, a impunidade de supostos investigados culpados.
Estariam, assim, objetivando eliminar a classe política eleita, para, ao final, estabelecerem seu próprio estado de direito que, como se nota, um estado policial.
Agora, convenhamos, uma Sargento da Polícia Militar sendo babá!!!! A PF é uma instituição séria. Não é, evidentemente, com vazamentos e apontamento de desconfianças sem fundamento (não comprovadas a priori) que vai conseguir fazer com que a população não a enxergue como um partido político tirano.
Um partido composto de integrantes pagos com recursos públicos (salários acima do teto por penduricalhos) para atender ao Estado.
E mais grave: a PF (conforme a reportagem do G1) teria "recomendado" investigação do Ministério Público porque poderia ser crime de improbidade.
A reportagem não cita se do MPF ou MPE. Ainda que a suposta ilegalidade tivesse sido apontada num processo do Governador em tramitação no STJ, o que por si só já levaria a competência para a própria PF ou MPF.
A confusão, como se percebe, não é só mais um descuido. Integra um rol de outros descuidos com implicações diretas na apreensão do processo contra Mauro Carlesse no consciente popular.
A tal lawfare, apontada pelo ministro Gilmar Gomes na decisão que derrubou condenações do lavajatista Marcelo Bretas no Rio de Janeiro e que veio a público esta semana, como postei na sexta.


