O anúncio de pagamento de progressões e data-base pelo governo, da forma como realizado, segue o princípio até físico de que uma coisa não produz coisa diferente. De outro modo: um pé de maçã não produz laranja. Ou, de um ovo de galinha não nasce um peru. No popular: o efeito é resultado da causa que o antecede.
Enquanto o governo de Wanderlei Barbosa considera (na divulgação no próprio portal) como dia histórico para o Tocantins o pagamento de dívida de R$ 50 milhões a 15 mil servidores (de uma população de 1,6 milhão de pessoas, 1 milhão na zona da pobreza e dependentes do Auxílio Emergencial e Auxílio Brasil), os aliados de Mauro Carlesse pontuam que isto só foi possível pela poupança realizada no governo afastado.
Ou seja: desejariam que Wanderlei anunciasse os benefícios pelo governador afastado que, como é notório, se poupou recursos, caprichou também na falta de vontade política de pagar as progressões. Imagina Wanderlei falando a jornalistas: olha, tudo isto aqui não seria possível sem Mauro Carlesse!!!! Ainda que este tivesse sido a causa.
Por outro lado, Wanderlei disse ontem que o débito (passivo) com servidores seria de R$ 2 bilhões. No portal do governo desinforma-se que se pagará os R$ 50 milhões (progressões e data-base) e que o total parcial da folha seria de R$ 340 milhões.
Uma impossibilidade tanto lógica, numérica como semântica. Tales de Mileto deve estar se perguntando onde teria errado ao discernir total de parcial, o inteiro da metade. Existiria agora, matematicamente, algo que seria a um só tempo o todo e a parte. A matemática sendo engolida pela filosofia e suas abstrações. E que, abstração por abstração, emprestaria ao governo interino sua própria natureza surrealista. Uma distorção, dado o seu desempenho real.
Na verdade, conforme os balanços publicados pelo próprio governo, a folha de salários bruta foi em agosto (último publicado) de R$ 448 milhões. Em julho foi R$ 423 milhões, junho (R$ 462 milhões), maio (R$ 416 milhões), abril (R$ 431 milhões), março (R$ 472 milhões), fevereiro (R$ 423 milhões) e janeiro (R$ 409 milhões). O governo só tem pago, entretanto, o líquido, retendo contribuições e outros descontos que gira em torno de R$ 180 milhões como divulga o próprio governo quando efetua os depósitos bancários. Onde haveria um total parcial de R$ 340 milhões, se está por explicações.
Sobre o passivo com servidores, tomando como válidos os mesmos balanços, ele era reconhecido em abril como de R$ 1,8 bilhão, caiu para R$ 603 milhões em agosto e no último balanço publicado (do 5º bimestre, publicado no final de novembro) havia sido reduzido a R$ 574 milhões. Como seria obra de Mauro Carlesse, optou-se, intuo, pela distração já que não é crível considerar assessores jurídicos e econômicos no governo (Planejamento ou Fazenda) incapazes de demonstração tão trivial como prosaica.
Ou estariam equivocados os balanços publicados no Diário Oficial (e aí o TCE estaria comendo poeira), ou o governo interino no uso de números.


