A nova denúncia do Gaeco contra o ex-governador Mauro Carlesse no meio da semana, como apontei aqui, sugeria movimento tático de uma estratégia maior de manter o ex-governador preso preventivamente.
Explicando: Mauro Carlesse está preso cumprindo decisão em um processo separado que diz respeito apenas à propalada fuga.
E que a PF não apresenta os documentos comprobatórios desde o meio do ano passado.
Fato cobrado na última quarta (pela 3ª vez) pelo juiz que mandou prender o ex-governador.
E que o mantém preso sem os documentos há 41 dias.
Um processo que foi suspenso no meio do ano passado justamente por sua falta (dos documentos).
Aí entra a nova denúncia (vazada esta semana) para, por assim dizer, denunciar o “nível” de periculosidade do ex-governador.
E reforçar a decisão do juiz que, se era sugestiva de não encontrar respaldo para ser decretada, com a denúncia do Gaeco poderia ter um impulso.
Ocorre que a denúncia do Gaeco é basicamente um cópia/cola da denúncia do STJ que afastou o ex-governador.
Disse ontem a defesa de Mauro Carlesse ao Política & Acessórios:
“O acesso à denúncia foi liberado de forma tardia e que o processo tramita sob sigilo, tornando desconhecida a origem do vazamento de informações.”
De acordo com Sandro Henrique, desde 2021 a defesa tem solicitado reiteradamente acesso às provas mencionadas pelo Ministério Público, sem que as informações tenham sido devidamente compartilhadas, comprometendo o pleno exercício da ampla defesa.
Diz mais Sandro Henrique: as acusações feitas contra Mauro Carlesse carecem de fundamento sólido, baseando-se em elementos já apresentados em denúncia anterior da Procuradoria-Geral da República, sem qualquer acréscimo de novas provas ou fatos relevantes.
O TJ, em julga virtual, analisa habeas corpus em favor do ex-governador.


