As declarações atribuídas pelo Folha do Girassol a Gilberto Kassab ontem dão bem a medida da crise criada pelo senador Irajá Abreu.
Um risco calculado. Não mudou a situação da coligação (uma orientação nacional fora do seu alcance), mas jogou incertezas na chapa de Laurez e de senadores.
Na dúvida, o eleitor tende a segurança. Irajá pode ter alterado sua situação apenas riscando o fósforo para Kassab apagar.
Irajá, assim, ganhou no inverso das perdas de Laurez e do PSD, seu partido.
Implausível imaginá-lo se movimentando como uma "besta". Não dá ponto sem nó.
Kassab, com efeito, desautorizou “não desautorizando” a pretensão de Irajá.
Deve ter sido encontrado agora pela ex-senadora Kátia Abreu, coordenadora da campanha de Lula no Estado.
A ligação de Irajá com Kassab é direta. Sem intermediários. Foi Irajá que levou Laurez ao presidente do PSD.
Resumidamente: disse Kassab que a 2ª vaga é do PT (e não de Ivanete/Irajá). E que Laurez não tem por que ficar contra a pretensão de Irajá. Como assim!!!
E mais isto (segundo o portal): “O senador Irajá tem uma visão que se o PT não tiver candidato ao Senado, isso pode favorecer a eleição dele. Já o vice-governador Laurez está alinhado ao apoio ao PT. São posições legítimas”.
Subtração: Irajá (pelos termos de Kassab) apoiaria Lula mas quer em troca os votos do PT para sua reeleição no Estado. E o fundo eleitoral destinado a senadores.
O PT sempre venceu para presidente no Tocantins. Já são votos de Lula.
Isto tudo à revelia da direção partidária regional que tem um candidato ao governo: o presidente regional Laurez Moreira que tem posição contrária: é favorável à aliança entregando ao PT a segunda vaga de senado.
No país não existe candidatura nata. Há a necessidade de ser autorizada pela convenção do partido.
Quer um aperitivo? O PSD terá de fundo eleitoral este ano R$ 421 milhões.
A Resolução 191, da Comissão Executiva Nacional do PSD (de 3 de julho de 2026) determina que desse fundão aí, 80% devem ser entregues às candidaturas majoritárias (governo e Senado).
Só 20% para os proporcionais (deputados).
Se houver a coligação PT/PSD os fundos podem cruzar na majoritária. Um partido financiando candidato do outro. Na proporcional, não.
Não havendo PT/PSD, a chapa Irajá/Ivanete (dois senadores do PSD) levaria os 100% da parte (dos 80%) que fosse tocada aos senadores.
Destes dois, qual a direção nacional elegeria para receber a maior parte do fundo? Um senador disputando uma reeleição ou uma servidora pública técnica de enfermagem?



