A desconexão de teoria e prática no campo político é eloquente tanto quanto anestésica se mostra a inação do cidadão político.
As circunstâncias da política nacional e texto e contextos regionais implicariam, de modo único, uma anarquia generalizada entre partidos, eleitos e eleitores, em desfavor do sistema partidário vigente.
Lê-se na imprensa nacional que o presidente nacional do Republicanos (partido do governador Wanderlei Barbosa) informa que a legenda não será da base do presidente Lula. Ainda que já o seja. Vejamos.
Muito antes do anúncio do final de semana (de emendas parlamentares de R$ 46 bilhões oferecidas por Lula driblando decisão do STF que acabou com as emendas de relator), a bancada estadual do Republicanos na Câmara dos Deputados (três deputados federais), já havia declarado apoio ao adversário de 2022 que combateu fundamentada em seus programas partidários.
Se valer a decisão do dirigente republicano, serão, portanto, em condições normais de previsibilidade, menos três votos dos deputados federais tocantinenses em favor do governo federal. Obviamente isto imporia, a priori, meia volta aos parlamentares do Estado já considerados apoiadores do governo petista. Mas não é bem assim.
Com efeito, na semana passada o deputado federal Ricardo Ayres assumiu a direção do Republicanos na Capital. A legenda quer disputar a Prefeitura no próximo ano.
Na base bolsonarista tem, ainda, a deputada Vanda Monteiro, do União Brasil (da senadora Dorinha Seabra), disposta a voltar às urnas e outra deputada, Janad Valcari, do PL (de Jair Bolsonaro e Eduardo Gomes) que persegue igual objetivo.
A vontade política de Ayres pode necessitar do aval da direção regional (Wanderlei Barbosa). Isto porque o Republicanos não teria, agora, um nome competitivo para 2024. Ainda que possa construí-lo.
E, por outro lado, os passivos do ex-presidente Jair Bolsonaro sugerem levar prejuízos políticos ao PL de Gomes e uma candidatura própria no próximo ano, dificultando, consequentemente, para Janad.
Um nome que emerge hoje com maior musculatura política que o vice de Cínthia Ribeiro, André Gomes, do Avante, que pode federar com UB e PP. Viabilizada a federação, fortaleceria, por gravidade, Vanda Monteiro, de maior penetração popular na cidade que Vicente Jr (PP) ou mesmo André Gomes.
Deste caldo aí, pode emergir, assim, um arranjo entre o PL e o Republicanos: Eduardo Gomes na chapa majoritária do Palácio em 2026, disputando o Senado novamente ao lado de Wanderlei com Laurez Moreira assumindo o governo e disputando a reeleição.
Números da contradição e do paradoxo: como se sabe, o governo petista foi eleito por 50,40% dos votos do Estado. Jair Bolsonaro cravou 44% (434 mil votos X 379 mil votos).
Apesar da vitória lulista, entretanto, o Republicanos (da base bolsonarista) foi o partido que teve mais votos e elegeu mais deputados estaduais e federais.
O partido fez 205 mil votos para estadual e 183 mil para federal. Elegeu, assim, sete estaduais (29% do Legislativo estadual) e três federais (37% da bancada na Câmara). E o governador do Estado. A federação de Lula conseguiu apenas 83 mil votos para estadual e 70 mil para federal. Elegeu um estadual e zero federal.
Como disse, uma desconexão entre o texto e o contexto, produto justamente da não conexão entre a teoria e a prática.


