O prefeito Eduardo Siqueira vai colecionando ventos. Depois da anulação das eleições de diretores, anuncia para amanhã o"lançamento" do plano de saúde dos servidores (contratado por Cínthia em outubro).
O contrato com a Geap tem duração de 24 meses a partir de 1º de novembro de 2024. É por adesão. Não há custo para a prefeitura. Mas a prefeitura informa que vai fazer o lançamento como se ele não já estivesse em vigor. Uma bobagem.
Prefeitos tem suas competências e atribuições. Mas decisões administrativas necessitam ser emolduradas em fundamentação não só política, mas técnica. É a segurança da administração pública e dos contratos. É o conhecido "pacta sunt servanda."
E hoje se lê no Portal CT (do jornalista Cleber Toledo) que Eduardo teria pedido (e fora atendido) a devolução pela Câmara de Vereadores de cinco projetos de lei complementares protocolados pela ex-prefeita.
Os projetos:
• PLC – Parcelamento, uso e ocupação do solo
• PLC – Código de Posturas
• PLC – Alteração Plano Diretor
• PLC – Criação do Sistema Municipal de Normas Regulamentadoras;
• PLC – Aprovação do Plano de Ocupação da Área Aeroportuária e de seu entorno
A explicação do jornalista atribuída a uma fonte: a nova gestão enxergaria com desconfiança o encaminhamento dos projetos no final do ano.
A informação como é lógico tem remetente e destinatário certos. É tão grossa quanto primária a estratégia.
Se é que isto possa ser considerado como estratégia. Mas uma coisa é certa: é incapaz de se descolar da sugestão de elevado grau de leviandade política. E que se lembre: houve uma comissão de transição.
Somada às demais anulações de Eduardo de decisões de Cínthia em duas semanas não precisa ser um gênio para concluir o aparente significado.
Há projetos como a Lei do Uso do Solo que foram discutidos por dois anos por técnicos do Ipup.
Com audiências públicas e reuniões setoriais nos bairros (regiões Norte/Sul-Leste/Centro). Tudo documentado e informado ao TCE. Desde 2020.
É muito pouco prazo para o prefeito desprezar o ativo político da ex-prefeita, fundamental na sua eleição. Ainda mais da forma como sugere. Cínthia tem aprovação popular comprovada nas pesquisas.
Eduardo ainda vai trabalhar para obtê-la, saído de circunstâncias em que líderes e partidos dele se distanciaram por condutas tais as que, hoje, parecem reconduzí-lo.
Isto se dá quando não se tem publicamente informação de que Cínhtia e Eduardo estivessem rachados politicamente. No que concede à situação uma natureza sorrateira.
Do ponto de vista pragmático eleitoral, convenhamos, Ronaldo Dimas (e o Podemos) - com base apenas em Araguaína - saídos de derrota estadual acachapante para Wanderlei Barbosa e que elegeu apenas um prefeito (o próprio Eduardo) no ano passado, pode não ser o suficiente para jogar marujos ao mar.
Com o barco ainda no cais.


