A decisão do governo de revogar a licitação para contratações de aviões e helicóptero mostrou inteligência política da administração estadual.
Obviamente, do ponto de vista jurídico, seria perfeitamente defensável a contratação que tinha endosso do TCE e encontrava-se, a priori, calçada de permissivos legais, apesar dos questionamentos iniciais do MPE no uso de suas competências.
O problema se mostrava, com efeito, de outra ordem: inoportunidade do gasto e qualidade da despesa mediante as circunstâncias da pandemia e da pobreza do Estado. Ou seja, o Estado estaria se ajustando para gastar em prioridades discutíveis.
Isto empurraria o questionamento para o campo político, desviando-se do processo jurídico que o governo poderia enfrentar até não mais poder. Recursos e mais recursos se não enterrasse de vez o processo no Tribunal de Justiça. Argumentos teria aos montes.
Submeteria Mauro Carlesse, entretanto, a desgastes desnecessários e ao risco de condenações judiciais a um ano das eleições e apenas sete meses do prazo de desincompatibilização.
Desviando a atenção do esforço da administração para ajustar o Estado que, até aqui, tem dado certo, colocando receitas e despesas no eixo, meta prometida e não viabilizada nos últimos 20 anos.
A decisão, por outro lado, joga luz no que já está iluminado: Mauro Carlesse tem projetos políticos para 2022. E não quer detoná-los por causa de aviôeszinhos que pode contratar com seu próprio dinheiro na campanha eleitoral.


