Sábado, 24 de Out de 2026

Decisão de Cínthia Ribeiro no transporte coletivo transcende a questão econômica. É uma ruptura e mudança de referencial político no setor que só prejudicou a população em 30 anos de contrato!!!!!!

03/03/2023 922 visualizações

A prefeita Cínthia Ribeiro apresentou ontem o novo sistema de transporte coletivo da cidade. Agora administrado pelo poder público. Pode ser a maior obra não física da prefeita que não pode ser candidata à reeleição. Ou seja, não haveria, portanto, motivação eleitoral para a disputa.

E por que não física? Por que rompe princípios malévolos que uniam empresários e políticos mal intencionados e que prejudicavam a população usuária do transporte coletivo. A maioria dos moradores de Palmas. Da infraestrutura,saúde e educação, exceto equívocos pontuais, a prefeita tem mandado bem. Tem o triplo A na questão fiscal que o governo tanto persegue, por exemplo, e fechou 2022 com superávit primário e redução de dívida pública.

E isto não é decisão que os políticos veem como de fácil execução. Empresários do transporte coletivo, por lidarem em larga medida com dinheiro em espécie, são fundamentais no caixa dois de campanhas eleitorais. Tem sido assim no Estado e alhures.

Sem querer reduzir a importância dos equipamentos que pretende implantar no sistema (Wi-Fi, câmeras de vigilância, rádio, novos ônibus, mais abrigos e tarifa zero para idosos e desempregados), a decisão da Chefe do Executivo é um marco pela ruptura com o anacronismo que uniu poder público e empresários desde as primeiras ruas e casas da cidade.

Uma engrenagem que envolve R$ 60 bilhões no país anualmente e que se movimenta de forma organizada. Muito explícito na recusa de empresas de outros Estados – como denunciou ontem a prefeita - em participar da licitação em curso em defesa do monopólio existente na Capital até aqui. Nas Capitais e no DF operam 390 delas.

Acaso ou destino, quis a história que esse enfrentamento se desse sob o comando de uma mulher (a terceira a ocupar a prefeitura depois de Marisa Sales e Nilmar Ruiz), após o predomínio político-administrativo de cinco machões que, por seus motivos, submeteram-se ao domínio de empresários que desde o início de Palmas entregam um serviço deficiente e caro à população, em favor de seus bolsos.

São empresários que perderam o prumo até na resistência como é nítido no uso político de adversários da prefeita que, representando a população, não se importaram em aderir à construção do pior cenário para os usuários que obrigasse o poder público a devolver às empresas o sistema.

Foram superados pela determinação de Cínthia. A estratégia deu chabu, como se percebe no projeto anunciado ontem e na adesão da maioria à sua execução. Claro é que estancar desvios numa movimentação milionária captada numa cidade com desempregados e de baixa renda não pode piorar para o público.

Acompanho o transporte coletivo, das redações, desde a primeira licitação (1.992) que lá mesmo já se delineava a participação societária de políticos. Por muito tempo, nos bastidores era certo que um ex-prefeito tivesse participação no lucros das empresas. Numa cidade que hoje registra algo em torno de 6 mil passageiros/hora.

Um grupo que ganhou muito dinheiro. São públicos os reajustes de 2009 a 2019 de quase 100% na tarifa quando a inflação no período de pouco mais de 54%. Um ganho real de 46%.  Mais os subsídios. Tudo com base em um contrato onde os números para reajuste de tarifas e subsídios eram presumidos.

Cínthia mandou fazer auditoria atrás dos números reais e descobriu o buraco sem fundo. Dinheiro suficiente para, agora, a prefeitura bancar a tarifa zero.

Como disse: uma ruptura com a relação anacrônica entre políticos e empresários.

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