A ferramenta é a mesma de 2022 – Federação partidária – mas o movimento é outro em 2024 na base do PC do B, PT e PV. Não só por causa do resultado de 2022, mas também por causa dele quando os partidos tiveram candidatos mas as direções subiram nos palanques de outros.
Soma zero na representação político-ideológica e no projeto que as legendas, estatutariamente, tem como fundamento de suas existências no combate aos problemas da população. Num Estado onde dois terços da população está pendurada no Cadastro Único do governo federal.
O explícito confronto (tanto na práxis como na teoria) observado entre a militância e a direção partidária destas siglas na Capital, oxigena o debate entre direita e esquerda e aponta alhos e bugalhos. O primeiro passo para separá-los.
A disputa é entre seguir o materialismo histórico-dialético (“para transformar realidades concretas”) que deu substância a estes partidos.
Ou manter-se como legendas de aluguel para mandatos que aproveitam-se do idealismo circunstancial para buscar e manter representações mais distantes da população de baixa renda, a maioria do eleitorado.
É o que se apreende das reuniões que os partidos vem tendo em Palmas (a última na segunda-feira) e os desdobramentos que delas podem ter consequência. Todos com diretórios autônomos na Capital. Independentes, portanto, das direções regionais.
O PC do B (presidido regionalmente pelo líder do governo do Republicanos), o PT (cujo presidente regional tenta interferir no diretório metropolitano para apoiar o candidato do Palácio) e o PV (com um deputado da base governista e três secretários do governo do Republicanos) confrontam-se com as novas lideranças que defendem o óbvio: cumprir suas finalidades.
E não haveria momento mais oportuno quando o país, saído de uma tentativa de golpe, tenta separar extrema direita, direita e esquerda.
Com efeito, a política não só na Capital mas no Estado (e no país) transformou-se numa matéria amorfa.
Empresários endinheirados dizem representar o “proletariado” e nos legislativos as corporações, com seu capital financeiro, dominam os mandatos. Não que não tenham direito. Empresário representa empresário. É legítimo. O problema é o comprovado diversionismo falacioso.
Isto é possível, em grande medida, porque os partidos como PV, PC do B e PT – ditos de esquerda – o permitiram até agora. Ou disto se aproveitaram de alguma forma.
Ainda que divergindo, frontalmente, dos princípios que os fundamentam. E da militância amarrada numa leitura própria dos estatutos, levada que é pelos tributários do estrategema, a permanecerem inertes enquanto a banda passa na janela.
De outro modo: a guerra de movimentos na direção partidária e na militância é o novo que se revela na Capital. Afinal, não se pode apoiar um partido (ou candidato), por exemplo, da base de Jair Bolsonaro e estar numa legenda à esquerda dele.
Isto não é questão apenas de aparência, como a maioria dos políticos com representação tenta colar no consciente do eleitor há três décadas e meia.
Com uma desfaçatez impressionante. Se o movimento desta Federação tiver seguimento com essa potência e ânimo, as três legendas podem eleger vereadores este ano com viés genuinamente de esquerda, com suas idéias próprias para a sociedade.
Podem (como representam apenas um partido) apresentar 24 candidatos para disputar as 23 vagas na Câmara. Onde já tem a vereadora Solange Duailibe (PT) que pode ter sua elegibilidade questionada.
E sem portarem-se como escravos da "moeda" que tem sido a bússula das eleições no Estado desde sua criação. Muito realçada na pré-campanha eleitoral da Capital com a especulada folha de pagamento feita a lideranças por pré-candidatos.


