Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Debate fictício entre funções do Congresso e do STF no caso das drogas embute um atraso monumental que deputados e senadores impõem ao país sem freios ou muros de contenção

27/06/2024 802 visualizações

O Supremo Tribunal Federal decidiu ontem que dependentes da maconha (e da cocaína) podem ter o porte de até 40g da droga para porte pessoal.

Contrariamente ao discurso da direita, o STF não descriminalizou a maconha.

Só modulou a lei antidrogas (até decisão do Congresso) que vigora desde 2006 que já dá tratamento diferenciado entre traficante e dependente.

No Estado, além da questão de saúde pública incontestável (dar igual tratamento a dependente e traficante) há recortes também financeiros.

O Atlas da Violência 2024 fez (antes da decisão do STF) dois cenários: a) 25 g de cannabis e 10g de cocaina e b)100g da cannabis e 15g de cocaína.

Há no Estado do Tocantins 4.087 presos (Ipea/Atlas da Violência/2024). Destes, 231 estão detidos por posse de até 25g de maconha (5,6% dos presos). Outros 430 até 100g da droga (10,5% dos detidos).

Cada preso no Tocantins custa o equivalente a R$ 48 mil e 777. O custo anual daqueles que foram presos com até 25g é de R$ 11 milhões e 261 mil. Já com os de 100g fica em R$ 20 milhões e 983 mil.

O STF autorizou os 40g. Ou seja, enquadra fora aqueles 5,6% (presos pelos 25g) e parte dos 10,5% que foram flagrados com até 100g.

E que agora serão tratados como dependentes. E não traficantes que não são.

Como é evidente, redução de custos para os cofres públicos. Mas com o voto dos senadores Eduardo Gomes (PL) e Dorinha Seabra (UB) – Irajá Abreu não compareceu à votação -  o Senado aprovou a PEC 45/2023, que trata dependentes e traficantes de forma igual. Semaponta, claro, onde o Estado buscará os recursos. Seria das emendas de relator?

Um retrocesso monumental na contramão do avanço da questão no planeta. A  PEC agora está sendo apreciada na Câmara dos Deputados.

O cigarro e as bebidas, entretanto, continuam liberadas no país. E os cassinos e jogo do bicho na bica de serem regularizados.

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